Pilotos satisfeitos com o resultado dos testes com pneus Pirelli

liviooricchio

20 de novembro de 2010 | 15h40

20/XI/10

Livio Oricchio

  Teste com os novos pneus da Fórmula 1, agora, apenas na primeira semana da fevereiro, em Valência, com os modelos de carros de  2011. As 12 equipes que disputam a competição encerraram, ontem, no circuito Yas Marina, em Abu Dabi, o segundo e último dia de treinos com os pneus Pirelli. A exemplo de Felipe Massa, sexta-feira, ontem seu companheiro de Ferrari, Fernando Alonso, disse ter levado do ensaio “uma imagem positiva” dos pneus. Alonso, como Massa, fez o melhor tempo, mas diante do grande número de variáveis no teste o resultado tem pouco significado.

  O importante foi Alonso ter percorrido 105 voltas, praticamente o equivalente a dois GPs de Fórmula 1. “Recolhemos muitos dados importantes”, falou o espanhol, ainda convalescendo da perda do título para Sebastian Vettel, da Red Bull, domingo, em Abu Dabi. “A transição para a Pirelli não será dramática”, explicou Alonso, indo ao encontro da maioria que treinou, ontem, no mesmo circuito. “Ao menos para nós não foi necessária nenhuma mudança radical no acerto para os pneus trabalharem corretamente”, disse.

  Ele registrou a marca de 1min40s529. Na sexta-feira, Massa havia obtido 1min40s170 (94 voltas). A pedido da Pirelli, o traçado Yas Marina foi lavado de sexta-feira para ontem. “O piso tinha menor aderência hoje”, comentou Rubens Barrichello, da Williams, autor de 101 voltas e 91 no dia anterior. Sua marca de ontem o deixou em terceiro, 1min41s294.

  O próprio piloto explicou a razão de não ser possível comparar os tempos: “Em 2011, com a volta do Kers (sistema de recuperação de energia), o peso mínimo do carro se elevará de 620 para 640 quilos. E acredito que já tem gente treinando como começará em 2010. Só nesses 20 quilos a mais são 7 décimos de segundo.” Rubinho falou, ainda: “Voltamos ao período dos campeões de audiência. Se você treina com 10 quilos de gasolina o resultado é um, se for com 150, bem diferente.”

  Para Rubinho, o importante foi compreender o que os novos pneus exigem do chassi. “Variamos cambagem, alinhamento, pressão dos pneus, altura do assoalho, dentre outras áreas, para ver como o carro reagia.” No modelo da Williams, contou Rubinho, “a frente do carro agarra um pouco mais e a traseira um pouco menos.” É o cenário perfeito, portanto, para Michael Schumacher se dar bem, que gosta de carros com esse comportamento, haja vista o alemão ter dito, ontem, ter gostado do que viu. “É preciso esperar o pneu definitivo, em fevereiro. Os que usei hoje parecem estar mais de acordo com o meu estilo, em especial os dianteiros.” O alemão fez 1min41s757 (74 voltas), sétimo tempo.

  Rubinho, do alto de seus 306 GPs e 18 anos de Fórmula 1, já competiu com pneus Goodyear, Michelin, Bridgestone e, agora, Pirelli. “Estou de férias”, comentou, ontem, ao Estado, depois da longa reunião com os engenheiros, mas na semana que entra, agora, vai disputar as 500 Milhas de Kart da Granja Viana e na seguinte será repleta de reuniões na sede da Williams, em Grove.”

  O segundo tempo, ontem, ficou com Sebastian Vettel, da Red Bull, atual campeão do mundo, 1min40s825 (66 voltas). Mas, como sexta-feira, perdeu um tempo parado por ter um pneu furado. No primeiro caso a Pirelli concluiu tratar-se de um detrito que provocou um rasgo no pneu. No segundo, ontem, não. “Estão investigando”, disse Vettel. Como todos os pilotos, destacou que “as diferenças introduzidas pela Pirelli ao substituir a Bridgestone exigirão adaptações do carro, mas nada profundas demais.” Para a Red Bull, que tem um pacote técnico muito eficiente, o constatado nos testes não poderia ser melhor.

  O diretor de esportes a motor da Pirelli, Paul Hembery, informou que o resultado dos dois primeiros dias de treinos de seus pneus excederam todas as expectativas.  No mês que vem Pedro de la Rosa vai treinar em Bahrein, dando início à segunda fase do desenvolvimento dos pneus. “Mudaremos os compostos, a partir do que aprendemos em Abu Dabi, mas não a construção do pneu”, informou Hembery, outro alívio para os projetistas.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.