Pilotos se dizem "excitados" com novo circuito

liviooricchio

21 de agosto de 2008 | 15h07

21/VIII/08
Livio Oricchio, de Valência

Pode ser que hoje, depois do primeiro treino livre do GP da Europa, o circuito de Valência gere algumas críticas dos pilotos. Mas ontem, em seguida ao primeiro contato com seus 5.419 metros – a maioria a pé -, a impressão era uma só, como a definiu Fernado Alonso, da Renault: “Excepcional”.

Asfalto sujo. Muito. “A primeira sessão será bem difícil”, previu Massa, entusiasta do traçado. “Impressionante, diferente do que estamos acostumados. Se assemelha um pouco com o de Bahrein, com freadas fortes.” O líder do campeonato, Lewis Hamilton, da McLaren, o considerou “desafiador”. E falou: “Não vejo a hora de acelerar aqui”.

São retas longas, pouco comuns nas pistas de rua, e até mesmo curvas de alta velocidade, a exemplo da curva 1, depois da linha de chegada, e a sequência 22, 23 e 24. “Vamos percorrê-la em sétima marcha, a uns 280 km/h”, explicou Massa. “Freamos para a 25 em curva, difícil.” Essas seções de aceleração plena levaram Alonso a comparar o circuito com o do GP do Canadá. “É bem semelhante com o de Montreal. Tracionar bem será a chave para um bom desempenho aqui.”

A Comunidade de Valência, o governo local, investiu 60 milhões de euros para inserir a cidade no calendário da Fórmula 1. “Seremos a Mônaco dos novos tempos”, disse seu presidente, Francisco Camps. E, de fato, montaram o circuito ao redor do porto, onde muitos iates, como no principado, já estão ancorados, formando um belo cenário, muito melhor estruturado e já apreciado por muitos na competição, embora sem o charme de Monte Carlo. Valência entrou para ficar na Fórmula 1. “O contrato é de sete anos”, diz Bernie Ecclestone, promotor do Mundial.

Os pilotos são, mesmo, personagens bem particulares. Nenhum manifestou preocupação com a segurança da pista, apesar de em quatro pontos seus carros atingirem velocidades superiores a 300 km/h, com muro dos dois lados do asfalto. “Considerando-se a área de que dispunham, realizaram um belo trabalho”, explicou Rubens Barrichello, da Honda. Alertou, apenas, para o trecho entre as curvas 9 e 10, sobre uma ponte. “É muito estreito.” Seus colegas disseram “não ver problemas com a segurança”.

A prova pode também ser uma disputa entre a equipe que dispõe do melhor simulador. “Ajuda muito. Por isso fomos treinar num simulador na Inglaterra porque nosso time ainda não o tem”, falou Alonso. Há um consenso na Fórmula 1 de que a McLaren é a escuderia mais avançada nessa área. Massa conheceu a pista no simulador da Ferrari, localizado nas dependências da Fiat, em Torino. “Podemos antecipar a melhor relação de marchas, tipo de freio, o básico do acerto aerodinâmico e das suspensões. Mas não há como conhecer o comportamento do carro se há muitas ondulações, quando venta, por exemplo”, explicou.

A estréia de Valência no campeonato ficou marcada a um momento de tristeza para o povo espanhol: o acidente aéreo no aeroporto de Barajas, em Madrid, quarta-feira, onde morreram 153 pessoas. “Usarei uma tarja preta no macacão e faremos um minuto de silêncio amanhã (hoje), antes do início do primeiro treino”, disse Alonso.

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