Por que, de repente, a Ferrari caiu de primeiro para último?

liviooricchio

18 de abril de 2009 | 07h52

GP da China
Livio Oricchio, de Xangai

Até a Force Índia, última colocada ano passado entre as equipes, está melhor que a Ferrari este ano, a campeã entre os construtores em 2008. E ontem, no circuito de Xangai, depois de registrar apenas o 12.º tempo e seu companheiro, Kimi Raikkonen, o 14.º nos primeiros treinos livres do GP da China, Felipe Massa era um misto de revolta e resignação: “A única coisa que dá para esperar aqui é contar com a sorte e marcar alguns pontos”. A corrida, terceira do calendário, será disputada amanhã, às 4 horas, horário de Brasília.

Não dá para falar em crise, ainda, mas a Ferrari de hoje começa a dar sinais da Ferrari do passado, em que, apesar do enorme orçamento, além de não conquistar títulos dava, por vezes, seus vexames. Na atual temporada, ocupa a 10.ª e última colocação entre os construtores, sem ponto algum. É o pior início de campeonato desde 1992.

“Falta-nos velocidade, equilíbrio, pressão aerodinâmica, o Kers (sistema de recuperação de energia), falta tudo”, disse Massa. Raikkonen reforçou a análise: “Hoje não somos capazes de lutar por nada, título, vitórias”. As chances de os brasileiros vibrarem com uma eventual conquista de Massa no Mundial, como milhões chegaram a pensar depois do inesquecível GP do Brasil do ano passado, diminuem a cada dia.

A pergunta que está no ar é: como pode uma escuderia que perdeu o título de pilotos na última curva, da última volta, da última etapa de 2008 cair tanto de produção de um ano para o outro, a ponto de na prova de amanhã, na China, Massa diz precisar contar com a sorte para se classificar dentre os oito primeiros? “A explicação é simples”, fala o diretor geral da Ferrari, Stefano Domenicali. “Estamos pagando o preço por nos concentrarmos no desenvolvimento do modelo do ano passado, pois lutávamos pelo Mundial.”

O dirigente lembra que esse fator, por si só já preocupante para a concepção do modelo F60, foi agravado pela mudança dramática do regulamento, que exigiria bem mais estudos. “Outro aspecto importante é a forma como encaramos as regras técnicas (em especial do desenho do difusor, peça do conjunto aerodinâmico traseiro), distinta de alguns dos nossos adversários”, falou Domenicali.

Seu assessor, Luca Colajanni, também comentou: “Some a tudo isso o fato de a FIA conduzir a coisa de forma bizarra”. A direção da Ferrari, apesar de a FIA já ter classificado os carros da Brawn, Toyota e Williams como “legais”, ainda os vê como fora do regulamento por causa de seu polêmico difusor.

Mas não são apenas fatores externos os responsáveis pela falta de resultados da Ferrari este ano. “Cometemos nossos erros na Austrália e Malásia, como não? Poderíamos ter pelo menos 10 pontos (o que daria a terceira colocação dentre os construtores)”, acrescenta Colajanni. “O Kers nos dá entre 4 décimos e meio segundo por volta e aqui em Xangai não vamos usá-lo por não termos conseguido resolver um problema que afeta a nossa segurança”, explicou Massa. “O modelo F60 foi projetado para o Kers e agora está sem ele, o que afeta ainda mais seu desempenho.”

Para a Ferrari é, então, fim de linha nas suas pretensões de conquistar o Mundial? “É preciso ser realista. Se até a estreia do carro com o novo difusor e todas as mudanças complementares a Brawn já tiver aberto 40 pontos de vantagem, por exemplo, ficará muito difícil”, argumenta Massa. A Ferrari espera disponibilizar a Massa e Raikkonen a nova versão do F60 no GP de Mônaco, sexto do campeonato, dia 24 de maio. E torce como nunca para Rubens Barrichello e Jenson Button, da Brawn, não terem sumido na liderança do campeonato.

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