Primeira classificação do campenato foi adiada. Chove muito aqui em Melbourne.

liviooricchio

16 de março de 2013 | 09h18

16/III/13
Melbourne

A previsão meteorológica foi precisa e choveu muito hoje no fim da tarde no sudeste da Austrália, madrugada no Brasil. Resultado: a sessão de classificação para o grid da etapa de abertura do Mundial, em Melbourne, teve de ser adiada. Com a pista já molhada, mas sem a chuva e o vento intensos, os pilotos chegaram a disputar a primeira parte do treino, o chamado Q1.

Quando iria começar o Q2, por volta das 17h30 no circuito Albert Park, 3h30 no horário de Brasília, a chuva aumentou. Como a drenagem da pista de 5.303 metros não é eficiente, pois não se trata de um circuito permanente, acumulou importante volume de água no asfalto. O diretor de prova, o inglês Charlie Whiting, não teve saída a não ser adiar a disputa das duas partes finais da classificação, Q2, de 15 minutos, e Q3, 10 minutos, para amanhã, às 11 horas em Melbourne, 21 horas deste sábado em Brasília.

Na realidade, se a sessão tivesse começado no horário que antes era programada, às 14 horas, como na maioria das etapas do calendário, talvez a competição pudesse ser realizada, pois um pouco mais tarde reduziu o volume de água na pista. Ocorre que para evitar de o horário da classificação ser de madrugada na Europa, a maior parte do continente está 10 horas atrás da hora de Melbourne, os promotores da Fórmula 1 estenderam nos últimos anos o início do treino das 14 para as 17 horas, ou 7 horas da manhã na Itália, Alemanha, França, por exemplo.

Com os adiamentos do início do Q2, decorrentes do aumento da chuva, e a aproximação do outono no hemisfério sul (começa quinta-feira), a quantidade de luz caiu bastante no fim da tarde, o que essencialmente gerou a transferência da continuação do treino classificatório para amanhã.

Seis pilotos já não haviam passado no Q1: o francês Charles Pic, da Caterham, 22.º, o seu companheiro, o holandês Giedo van der Garde, 21.º, o inglês Max Chilton, da Marussia, 20.º, e seu parceiro, o francês Jules Bianchi, 19.º, o mexicano Steban Gutierrez, Sauber, 18.º, e o venezuelano Pastor Maldonado, da Williams. Largam no GP da Austrália nessas posições.

Garde, Chilton, Bianchi e Gutierrez são estreantes, para se ter uma ideia do quanto conta a experiência na Fórmula 1 nessas horas de variação da aderência e visibilidade e saber como explorar os pneus de chuva intensa e intermediários da Pirelli, no fim do Q1.

A corrida começa na próxima madrugada às 3 horas, horário de Brasília, 17 horas em Melbourne. A previsão meteorológica mudou. São boas as chances, agora, de a primeira prova do calendário ser disputada com asfalto seco. Ontem era de 10% apenas. Já a classificação, por ser de manhã na Austrália, 11 horas, pode vir a ser ainda realizada sob chuva.

No Q1, o mais veloz foi Nico Rosberg, da Mercedes, com 1min43s380 (11 voltas), seguido por Fernando Alonso, Ferrari, 1min43s850 (10), Romain Grosjean, Lotus, 1min44s284 (10), Sergio Perez, McLaren, 1min44s300 (10), Mark Webber, Red Bull, 1min44s472 (10), e Felipe Massa, Ferrari, 1min44s635 (8). O atual tricampeão do mundo, Sebastian Vettel, da Red Bull, fez o sétimo tempo no Q1, 1min44s657 (11).

Vários pilotos se acidentaram durante o Q1. Dentre eles Massa. Na saída da veloz curva 12 a sua Ferrari voltou-se para o lado interno e tocou com violência na barreira de pneus, de bico. Incrivelmente apenas o bico ficou danificado, o que permitiu ao único representante brasileiro na Fórmula 1 regressar aos boxes, substituí-lo e prosseguir no treino.
“É a primeira vez que bato tão forte e consigo continuar num treino. Dei muita sorte”, disse Massa. “O problema é que eles pintaram de preto as antigas linhas brancas e você não as vê. E são escorregadias como não vi ainda. Eles fizeram bem em adiar a classificação. É só você ver quantos pilotos perderam o controle dos seus carros. A segurança em primeiro lugar.”

Não é a primeira vez que uma sessão de definição do grid é adiada por causa do mau tempo. Em 2004, um tufão de imensa magnitude se aproximou da costa leste da ilha de Honshu, a maior do Japão, onde se encontra o autódromo de Suzuka, e o todas as atividades da Fórmula 1 naquele sábado, 9 de outubro, foram canceladas. A classificação ficou para o domingo da prova, de manhã.

Também em Suzuka, em 2010, a chuva não diminuiu. Como a topografia dos 5.807 metros do espetacular traçado japonês é acidentada, com acentuados aclives e declives, em alguns trechos formavam-se verdadeiros riachos cruzando a pista. Em Suzuka há ainda o agravante de as áreas de escape serem as menores dentre todos os circuitos, com exceção das pistas de rua. Quem bate em geral bate em alta velocidade.

Todos esses fatores somados levaram Whiting também a cancelar a classificação programada para 9 de outubro, como em 2004, e adiá-la para o domingo de manhã.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.