Primeira Ferrari pós-Schumacher é bastante arrojada

liviooricchio

14 Janeiro 2007 | 20h01

A Ferrari apresentou hoje, em Fiorano, o seu carro para a temporada de Fórmula 1, o F2007. O primeiro depois do maior piloto da sua história, Michael Schumacher, encerrar a carreira. É com o modelo F2007 que Felipe Massa e Kimi Raikkonen tentarão quebrar a série de conquistas da Renault, bicampeã com Fernando Alonso, agora na McLaren.

Algo que nem mesmo Schumacher conseguiu. “Vi o F2007 pouco antes do Natal. As diferenças para o monoposto do ano passado (248 F1) são muitas. Será importante ser confiável desde o início do campeonato”, disse Massa. “Estou motivado.”

Jean Todt, diretor geral da Ferrari, Aldo Costa, responsável pela concepção do chassi, e Nicolas Tombazis, desenhista-chefe, compreenderam que se apenas desenvolvessem os conceitos do 248 F1 os avanços da Ferrari seriam mais limitados que se partissem para algo novo. Como necessitam. Se com Schumacher já não foi possível vencer o Mundial, sem ele será ainda mais difícil.

Por isso o carro apresentado hoje no circuito particular da escuderia incorpora várias novidades. Até mais nacionalismo: o F2007 voltou a ser pintado no cor “Vermelho Ferrari.” A partir de 1998, o seu vermelho passou a se assemelhar mais ao da marca Marlboro, sua patrocinadora.

“Iremos enfrentar adversários bem preparados e ambiciosos. Ambiciosos seremos sempre, temos é de ser bem fortes, como fomos entre 2000 e 2004 quando conquistamos tudo”, afirmou Todt.

Schumacher esteve hoje na Ferrari, em Maranello, do outro lado da avenida onde se encontra a pista de Fiorano. “Veio ver o novo carro, não mais como piloto”, disse Todt. O alemão não apareceu para conversar ou mesmo saudar a imprensa.

Amanhã Massa começa a verificar, em Fiorano, se a nova Ferrari representa, mesmo, um passo bem mais adiante em relação ao 248 F1. “A posição de dirigir é distinta”, explicou. “Tirei o molde do banco e deu para sentir.” Ele e Kimi irão pilotar um pouco mais deitados.

A frente mais elevada é a maior diferença do 248 F1 para o F2007. Foi concebida para acomodar uma nova suspensão dianteira, desenhada com o objetivo de permitir maior eficiência aerodinâmica. A solução tem nítida inspiração no R26 da Renault de 2006.

Ao levantar a frente e substituir a quilha onde os braços dos triângulos inferiores da suspensão se fixavam no monocoque por duas hastes de sustentação, Costa e Tombazis criaram sob a frente do F2007 um espaço livre.

Em conjunto com o rebaixamento da porção central do aerofólio dianteiro, criou-se uma área sem obstruções para o ar fluir sob a frente, na direção do assoalho, notadamente, de forma bem mais disciplinada. Ao menos no túnel de vento, os experimentos coordenados por John Iley responderam com importante aumento na pressão aerodinâmica gerada.

O F2007 tem ainda um novo câmbio, com caixa em titãnio, menor e que proporciona trocas mais rápidas das sete marchas. Radiadores também de dimensões mais reduzidas e maior eficiência térmica, o que facilitou estreitar a carenagem traseira, representando melhorias na aerodinâmica.

A redução dos componentes do sistema de arrefecimento, nada fácil de ser obtida, deu a Tomazia a possibilidade de afunilar mais a carenagem na porção traseira, o que facilita o escoamento dos fluxos de ar.

A versão do motor é a mesma do fim do último campeonato, como manda, agora, o regulamento. O desenvolvimento está congelado até o fim de 2009. Até o início do campeonato, dia 18 de março na Austrália, o F2007 receberá novos aerofólios dianteiro e traseiro. Os do F007 exposto são os mesmos do 248 F1.

“Não vejo a hora de acelerar esse carro”, falou Raikkonen. “Ficar tanto tempo parado como eu não ajuda, terei de me reeducar com o ritmo da F-1.” O finlandês não pilota desde o GP do Brasil, em outubro. “A Ferrari me acolheu de maneira bastante calorosa, tudo bem distinto do que estava acostumado.” Raikkonen vai pilotar o F2007, em Mugello, nos próximos dias.

O mesmo grupo de técnicos liderado pelo engenheiro australiano Chris Dyer é o que trabalhará com o finlandês. São ultracompentes.

Amanhã é a vez de a McLaren lançar seu novo carro. O interesse também é grande porque quem vai pilotar o modelo MP4/22 é o bicampeão do mundo Fernando Alonso, que teve a coragem de trocar a conhecida eficiência da Renault pelas incertezas da McLaren.

Alonso pilotará o MP4/22 nas ruas de Valência, Espanha. Depois, começa para valer seu trabalho no time inglês. “Eu o considero nosso maior rival na luta pelas vitórias”, disse Felipe Massa, em Madonna di Capiglio, Itália, na semana passada.

A perda de Alonso lançou um imenso ponto de interrogação sobre o que a Renault poderá fazer no Mundial, com o estreante Heikki Kovalainen e o pouco acreditado Giancarlo Fisichella.

Com Michael Schumacher fora das pistas, a enorme capacidade de Alonso poderá aparecer ainda mais. A Mercedes, sócia majoritária da McLaren, investiu alto para tirar o espanhol da Renault – contrato de 3 anos, com salário estimado de 30 milhões de dólares por temporada.

O outro piloto da escuderia será a jovem promessa inglesa Lewis Hamilton, de 21 anos, primeiro piloto negro da F-1. Campeão da Fórmula Renault Britânica, Fórmula 3 Européia e a GP2, ano passado.