Primeiro match point para Hamilton

liviooricchio

05 de outubro de 2007 | 16h43

05/X/07
GP da China
Livio Oricchio, de Xangai
TEXTO PARA A EDIÇÃO DE SÁBADO,APRESENTANDO A CORRIDA

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Está tudo pronto para milhões de cidadãos no mundo todo acompanharem a partir das 3 horas de Brasília, amanhã, Lewis Hamilton entrar para a história. O piloto da McLaren, líder do Mundial com 107 pontos diante de 95 de Fernando Alonso, seu companheiro, larga no GP da China, em Xangai, com grandes chances de conquistar seu primeiro título na Fórmula 1.

E em grande estilo, tão inovador que, caso se concretize, entrará para a história. Primeiro porque Hamilton é estreante na competição. Fato inédito nos 58 anos da Fórmula 1. Depois, o inglês se tornará, aos 22 anos, o mais jovem de todos os tempos, sem mencionar também que nunca um negro não só não disputou como não venceu no Mundial. Mas Hamilton, apesar do seu imenso talento e merecer o resultado, contou com uma mãozinha da FIA.

Todos aguardaram até tarde, ontem, no impressionante autódromo chinês a decisão dos comissários desportivos. Eles julgavam o comportamento de Hamilton no período em que o safety car esteve na pista no GP do Japão, domingo. Horas depois de verificar tudo, decidiram não existir razão para punir o piloto da McLaren.

Havia enorme expectativa no circuito porque se houvesse punição, a reta final do campeonato seria redimensionada. Alonso voltaria a ter boas chances na luta pelo título. Não foi o que aconteceu. Curiosamente, decidiram retirar a pena de Sebastian Vettel, da Toro Rosso. Perderia dez posições no grid do GP da China.

O acidente entre Mark Webber, da Red Bull, e Vettel, em Fuji, teve como origem o comportamento imprevisível de Hamilton atrás do safety car, que ora acelerava ora freava sua McLaren de forma pouco prudente e contra o regulamento, que exige distância mínima de cinco carros do safety car. O vídeo registrado por um torcedor na arquibanca foi utilizado no julgamento.

Antes do veredicto, Hamilton comentou: “Não fiz nada para colocar ninguém em risco. Se for punido será uma pena para o esporte. A Fórmula 1 é dura, mas como competição, justa. E isso orientou minha temporada, ser justo.” Quando a decisão dos comissários saiu, às 20h15, Hamilton já não estava mais no autódromo para comentar, mas muito a celebrar.

A previsão do tempo para o horário da corrida, 14 horas de Xangai, aponta 70% de possibilidade de chuva. Existe até a chance de um tufão se aproximar amanhã. Serão 56 voltas no seletivo traçado de 5.451 metros concebido pelo arquiteto alemão Hermann Tilke. No seco, sexta-feira, McLaren e Ferrari demonstraram competitividade ainda mais acirrada que nas demais etapas.

Kimi Raikkonen, Ferrari, foi o mais veloz, 1min36s607, seguido por Alonso, apenas 6 milésimos mais lento, Felipe Massa, parceiro no time italiano, 23 milésimos atrás, e Hamilton, com tempo 269 milésimos pior que Raikkonen. “Ao término de um dia de treinos livres (duas sessões de uma hora e meia cada), os quatro acabaram separados por dois décimos de segundo, a luta pela vitória será muito equilibrada”, previu Massa.

Alonso se surpreendeu com o resultado. “Esperava que a Ferrari fosse ser muito veloz aqui. Não imaginava a nossa proximidade, o que me dá esperanças de pensar em vencer e permanecer com chance de chegar ao título.” A corrida pode pôr um fim a uma das mais polêmicas temporadas da Fórmula 1, como o caso de espionagem entre McLaren e Ferrari, a suspeita de protecionismo a Hamilton e a consequente menor representatividade da conquista. A TV Globo transmite o GP da China ao vivo, a partir das 3 horas.

FIM

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