Provável saída de Maldonado da Williams pode ajudar Massa

liviooricchio

18 de outubro de 2013 | 05h21

18/X/13
Nice

Olá amigos. O texto a seguir e outros de F-1 produzidos pela Agência Estado estão disponíveis também na seção Esportes-Velocidade do portal www.estadao.com.br

Se permanecer na Williams já era algo que não lhe passava pela cabeça, depois do GP do Japão, no último fim de semana, Pastor Maldonado decidiu de vez trocar de equipe, caso seja possível. Na realidade, com o importante investimento da PDVSA, estatal de petróleo venezuelana, não deve ser difícil para Maldonado acertar com outra escuderia. A notícia pode ter desdobramentos no futuro de Felipe Massa na Fórmula 1.

A preferência de Maldonado, claro, é pela Lotus, organização que luta para ser a vice-campeã entre os construtores, este ano. E segundo a grande maioria dos profissionais da Fórmula 1 não deverá ver a cor do dinheiro do grupo Infinity, anunciado como seu sócio, com participação de 35% na sociedade.

“Eles sempre nos dizem vai chegar, vai chegar e nada acontece”, disse ao Estado, na Coreia, uma fonte, sobre o depósito acordado com Gerhard Lopez, proprietário do grupo Genii, a quem pertence a Lotus. Assim, a Lotus vai precisar de um grande investidor para completar seu orçamento de 2014.

Desde a corrida de Suzuka, os representantes de Maldonado, da PDVSA e da Williams negociam uma saída negociada do time. Há ainda um contrato de dois anos pela frente, 2014 e 2015. Se Maldonado sair, a PDVSA teria de pagar apenas pela temporada de 2014, mesmo sem o piloto lá. E é isso que estão discutindo, quanto pagar. Não querem desembolsar o valor integral, que é publico, 24 milhões de libras, ou 30 milhões de euros.

Se houver acordo, como é provável, Maldonado estaria livre para acertar com outra escuderia. No caso de não ser a Lotus, as opções seriam Force India e Sauber. “Prefiro ficar em casa se for para correr como neste ano”, afirmou Maldonado, antes ainda da prova da Coreia.

No Japão, foi acusado de “louco” por toda a cúpula da Williams por ter ultrapassado o companheiro, Valtteri Bottas, na última curva, da última volta, chegando a tocá-lo. A luta valia o 16.º lugar. Isso tornou o ambiente insuportável para o venezuelano. Contra ele também, integrantes da Williams dizem abertamente que o piloto não cumpre as ordens de como conduzir o carro, expondo os pneus a desgastes mais elevados.

Massa, sério candidato

Na hipótese provável de Maldonado sair da Williams, Claire Williams, filha de Frank e hoje quem lidera a organização, deve considerar a candidatura de Massa com muita atenção. Se tiver um patrocinador para apoiá-lo será ainda mais importante, decisivo, porque a Williams vai perder seu maior investidor.

Nicolas Todt é o empresário de Massa. Curiosamente o de Maldonado também. Se conseguir levar Maldonado para a Lotus, suas chances de colocar Massa na Williams crescem. Ao Estado, Nicolas disse: “Pastor enfrenta suas dificuldades, hoje, mas no ano que vem seria uma excelente opção para Felipe”.

O empresário lembrou que a falta de resultados este ano levou a Williams a se reestruturar visando o próximo campeonato. “Produziram um carro que não permite aos pilotos somar pontos. Têm de reagir e estão contratando gente nova.” Nas 15 etapas até agora disputadas, tudo o que Maldonado conseguiu foi um décimo lugar na Hungria, um ponto, enquanto Valtteri Bottas, o companheiro, nenhum. O time só está na frente da Marussia e da Caterham, cujos orçamento e estrutura não são a metade dos da Williams.

Por tudo isso é que Massa e o grupo que o assessora em São Paulo intensificaram os contatos com empresas brasileiras para conseguir o patrocínio estimado em US$ 10 milhões (R$ 22 milhões), o que praticamente garantiria a vaga na Williams.

“Eles têm 550 funcionários, enorme organização, não vão errar de novo no carro como fizeram este ano”, disse Massa, ao Estado, durante viagem para a Coreia. Mas sua primeira opção, como lembrou, é a Lotus, que já mostrou poder produzir um carro capaz de lutar pelas vitórias.

No caso de Maldonado, o desfecho da história não vai se arrastar por muito tempo, mas no de Massa talvez, por Williams, Lotus, Force India e Sauber desejarem seu trabalho e estarem dispostos a aguardar um pouco mais para ver se pode contar com um patrocinador. Como essas escuderias também precisam de dinheiro, além de experiência, sem esse investidor talvez Massa perca a vaga para outro candidato com patrocinador.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.