Quadro de Massa é grave, mas as condições são favoráveis

liviooricchio

25 de julho de 2009 | 17h23

25jul/VII/09

Livio Oricchio, de Budapeste

A segunda parte do treino de classificação do GP da Hungria, ontem no circuito Hungaroring, estava já nos segundos finais, às 14h40, quando a FOA Communication, responsável pela geração das imagens na Fórmula 1, mostrou a Ferrari de Felipe Massa parada em frente à barreira de pneus da veloz curva 4. Em princípio, parecia um acidente comum e sem maiores consequências.

Mas o piloto não se mexia dentro do cockpit e depois, na repetição das imagens, ficou claro que algo havia se chocado contra o seu capacete na reta antes da curva. O capítulo seguinte da história foi um profunda consternação no autódromo e muita gente nas proximidades do ambulatório desesperada por notícias sobre sua saúde. No fim, Massa teve de passar por cirurgia para a retirada de fragmento ósseo do crâneo e passou a noite no hospital militar de Budapeste, na unidade de terapia intensiva, em condições estáveis.

A mola do terceiro amortecedor da Brawn GP de Rubens Barrichello se soltou e caiu no asfalto. Estava pulando, ainda, quando Massa passava. Atingiu o seu capacete na porção superior esquerda da viseira. O peso do objeto é de um quilo e a Ferrari estava, naquele instante, a cerca de 200 km/h. Os danos no capacete alemão Schubert foram significativos, atingindo até mesmo a cabeça de Massa.

“É sempre um quadro de traumatismo craniano e por vezes algumas complicações surgem mais tarde, mas todas as referências de temos são positivas”, explicou seu médico pessoal, Dino Altman, que hoje chega à Hungria. Ele manteve contato regular com os colegas que assistiram a Massa. Junto do médico viajaram, ontem, sua esposa, Rafaella, grávida de cinco meses do primeiro filho do casal, o pai, Luis Antonio Massa, e a mãe, Ana.

“Precisamos aguardar a evolução do caso. Mas numa escala que varia de 3 a 15 para descrever a gravidade desses traumas, Felipe se enquadra no número 14, o que representa um ótimo sinal”, falou Altman. O corte sobre o supercílio esquerdo, o inchaço e o sangue visíveis nas fotos que circulavam na Internet pouco tempo depois do acidente sugeriam algum risco a sua vista esquerda. Os médicos, no entanto, disseram não detectar nenhuma lesão no globo ocular, assim como a tomografia não sinalizou danos neurológicos, a sua maior preocupação.

As próximas horas serão decisivas para Massa, segundo Altman, embora destaque seu otimismo. No caso de tudo transcorrer bem, sem problemas que podem surgir, os médicos até já falaram em tempo de recuperação, estimado em seis semanas. Assim, mesmo com tudo correndo a seu favor o piloto da Ferrari teria poucas chances de disputar o GP da Europa, em Valência, dia 23.

O clima na pista húngara ficou muito tenso por todos estarem, ainda, bastante sensibilizados com com a morte do jovem piloto inglês Henry Surtees, há uma semana em Brands Hatch, numa prova de Fórmula 2. Como Surtees, filho do campeão do mundo de 1964, pela Ferrari, John Surtees, o piloto da Ferrari seguiu reto na curva por perda de consciência ainda no carro, atingido por algo externo. Henry Surtees faleceu em razão de uma roda de um adversário ter colidido contra seu capacete.

Massa foi retirado do carro e, com o capacete ainda, transferido para a ambulância. O médico da Fórmula 1, Gary Hartstein, disse que Massa estava bastante agitado. “Por isso o sedamos parcialmente.”

Rubens Barrichello, da Brawn GP, correu para o ambulatório. Estava na sua frente quando Massa perdeu o controle da Ferrari. “Compreendi que não havia feito a curva ao olhar pelos espelhos.” Rubinho não sabia anda: o que atingiu o capacete de Massa foi a mola do terceiro amortecedor traseiro do carro da Brawn GP.

A tensão cresceu no paddock com a falta de informação. Quem primeiro trouxe um pouco de traquilidade foi o irmão do piloto, Eduardo. “Felipe está consciente e falei com ele.” Rubinho comentou sobre o corte no supercílio e o médico italiano Riccardo Chicarelli, da Toyota, comentou que o quadro geral de Massa era bom. Eduardo falou, também, que seu irmão havia conversado por telefone com a esposa. O assessor de imprensa da Ferrari, Luca Colajanni, informou os jornalistas: “Felipe vai agora de helicóptero para o hospital a fim de passar por tomografia”. Disse, ainda: “Por motivos óbvios a equipe disputará o GP da Hungria apenas com Kimi Raikkonen”.

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