Quando 25 milhões de euros representam bem pouco

liviooricchio

22 de julho de 2012 | 20h02

22/VII/12
Livio Oricchio, de Hockenheim

O retorno esportivo, promocional e técnico de Fernando Alonso para a Ferrari é tão grande que os cerca de 25 milhões de euros (R$ 65 milhões) pagos por temporada ao espanhol representam, por mais contraditório que pareça, uma pechincha. A terceira vitória no campeonato, ontem no GP da Alemanha, apesar da pressão intensa do estimulado alemão Sebastian Vettel, da Red Bull, e depois do renascido Jenson Button, McLaren, durante as 67 voltas da corrida, lhe permitiu ampliar a liderança na classificação de 13 para 34 pontos (154 a 120), diante de um irreconhecível Mark Webber, da Red Bull, somente oitavo.

Agora, mesmo sem fazer pontos no próximo GP, já domingo, na Hungria, garante ainda o primeiro lugar no campeonato. E pensar que depois da inquietante estreia do modelo F2012 italiano, na Austrália, não foram poucos os que já consideravam outra temporada perdida para a Ferrari. Desde a estreia da nova versão do F2012, na Espanha, porém, Alonso disputou seis provas e dos 150 pontos possíveis somou 111, decorrente de duas vitórias, duas segundas colocações, um terceiro e um quinto lugar. A etapa de Hockenheim encerrou a primeira metade do Mundial, mas se Alonso for campeão será um dos títulos mais merecidos da história.

“Tive um dia perfeito (em termos de resultado) que, na realidade, começou com a pole position, ontem. Depois, o bom comportamento do nosso carro no seco também, hoje, mesmo sem ser o mais veloz, a estratégia correta da equipe e o fato de alguns adversários não marcarem pontos, como Lewis (Hamilton), ou poucos pontos, como Mark”, afirmou Alonso. Foi a 30.ª vitória na carreira. O segundo colocado no GP da Alemanha, Button, ratificou o comentário do piloto da Ferrari, sem modéstia, não comum no seu comportamento sempre discreto. “Não há ninguém mais veloz do que nós agora. Vamos lutar pela vitória nas próximas corridas”, afirmou. A dez voltas do fim estava a menos de um segundo de Alonso.

A McLaren também reviu o projeto do modelo MP4/27 e em Hockenheim o utilizaram pela primeira vez. Nas seis etapas anteriores à de ontem, Button havia somado 7 dos 150 possíveis. Um desastre. Mas tal como fênix, no entanto, o campeão do mundo de 2009 ressurgiu das cinzas. Não entrou na luta pelo título, com seus 68 pontos apenas, sétimo colocado, porém deve ser protagonista novamente das provas. Bom para o espetáculo, como o de ontem.

O segundo lugar de Button só foi confirmado pelos comissários desportivos horas depois da bandeirada. Vettel o ultrapassou pela área externa asfaltada da curva 6, fora da pista, na penúltima volta, e acabou recebendo como punição 20 segundos ao tempo de corrida, o que o fez cair para a quinta colocação. O alemão tem, agora, no campeonato, 110 pontos, terceiro. Com a decisão dos comissários o terceiro lugar no GP da Alemanha ficou para Kimi Raikkonen, da Lotus, quarto na temporada, com 98 pontos.

“Fui para fora da pista para deixar espaço a Jenson. A única intenção era evitar um toque entre nós. Foi maravilhoso estar no pódio com toda aquela torcida, mas tenho de respeitar a decisão”, afirmou Vettel. Havia perdido o segundo lugar para Button no seu segundo pit stop, na 41.ª volta. De qualquer forma, apesar do bom ritmo de Vettel, permaneceu a menos de um segundo de Alonso durante muitas voltas, a Red Bull não repetiu, na Alemanha, o desempenho na primeira corrida realizada no asfalto seco depois da enorme vantagem imposta em Valência, na estreia da nova versão de seu RB8. “Simplesmente eu não tinha velocidade, não tinha como acompanhar o ritmo dos que estavam a minha frente”, explicou Webber, ausente da competição.

Raikkonen recebeu a bandeirada em quarto, contudo foi terceiro por causa da punição a Vettel. “Nossos problemas começaram ontem, na classificação, com chuva. Não consegui ir além do décimo lugar. E iniciar a prova nessa posição o terceiro lugar é o máximo possível”, comentou. A Lotus não tinha a mesma velocidade da Ferrari e da Red Bull em Hockenheim, apesar de Alain Permane, diretor técnico, dizer que sim. O tradicional calor de Budapeste, no próximo fim de semana, lembrou Kimi, pode ser favorável a Lotus.

Em Hockenheim, a maioria fez dois pit stops e os pneus distribuídos pela Pirelli, médios e macios, foram menos determinantes no resultado final. A dupla da Mercedes, fez três. Michael Schumacher largou em terceiro e acabou em sétimo e Nico Rosberg, em 21.º e foi 10.º. “Tirei absolutamente tudo do carro hoje”, contou Schumacher. “Infelizmente não havia como manter alta performance muito tempo.” O alemão dá a entender que seu carro consumia mais os pneus que os adversários, daí a opção por três pit stops, ontem pior que a de duas paradas.

Desde a volta à Fórmula 1, este ano, na Austrália, Romain Grosjean, companheiro de Raikkonen, não havia disputado etapa tão ruim. Cometeu erros dos treinos livres à prova, ontem, por isso ficou em 18.º apenas. “Isso fará eu aproveitar mais o GP da Hungria.” Os dois pilotos brasileiros na Fórmula 1 tiveram fim de semana semelhante ao de Grosjean. Felipe Massa, da Ferrari, e Bruno Senna, Williams, também entraram nos boxes ao final da primeira volta para trocar o bico de seus carros em razão de toques na largada. Mas como Grosjean já na classificação para o grid, sábado, não foram eficientes. Largar lá atrás, 13.º e 14.º, aumenta exponencialmente a possibilidade de incidentes na primeira volta. Massa recebeu a bandeirada, ontem, em 12.º e Bruno, em 17.º.

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