Quem é esse que parece ser o novo fenômeno da F-1?

liviooricchio

21 de março de 2008 | 16h03

21/III/08
GP da Austrália
Livio Oricchio, de Kuala Lumpur

Início

O piloto da vez na Fórmula 1 chama-se Sebastian Vettel, da modesta Toro Rosso. Na próxima madrugada, nas 56 voltas do GP da Malásia, as maiores atenções recairão, claro, sobre a disputa entre os pilotos da Ferrari e da McLaren pela vitória, mas muito também no desempenho do que parece ser o novo fenômeno da Fórmula 1, esse alemão de 20 anos, amigo de Michael Schumacher, filho de um carpinteiro.

Já foi esclarecido por todos os envolvidos na história de que sua transferência para a Ferrari, em 2009, é uma fantasia. Mas não deixa de ser verdade que seus resultados, ano passado, na pré-temporada, em janeiro e fevereiro, e agora nos treinos do GP da Austrália e da Malásia, já levaram o meio a observá-lo de maneira bem distinta. “Ele é fantástico”, o definiu Bernie Ecclestone, ontem, no autódromo de Sepang.

Já é o mais jovem a marcar pontos na Fórmula 1, com 19 anos, 11 meses e 14 dias na sua estréia no Mundial, no campeonato passado, em Indianápolis, pela BMW. “Sou fã dos Beatles”, conta, surpreendentemente, pois nasceu 17 anos depois da separação da banda, em 1970. “Meu quarto era forrado de posters de Michael Schumacher, meu herói. Nem acredito que hoje conversamos regularmente.” Na primeira temporada no automobilismo, em 2003, em seguida a títulos no kart alemão, foi vice-campeão da Fórmula BMW para, no ano seguinte, conquistar o título com 18 vitórias em 20 etapas.

“A minha namorada, Hanna, é a mesma de quando comecei minha carreira”, diz, com orgulho. O pai, Norbert, seguia o filho com interesse até chegar na Fórmula 1. Mas Vettel sabe que o chefão dos pilotos sob contrato com a Red Bull, o austríaco Helmuth Marko, ex-piloto que abandonou a carreira na Fórmula 1 depois de uma pedra o deixar cego de uma vista, no GP da França de 1972, não quer saber de familiares circundando pelos boxes.

“Vettel me impressiona. Apesar de muito jovem, é velocíssimo, determinado, sabe o deseja e comete poucos erros. O vejo como um futuro campeão”, comenta Gerhard Berger, ex-companheiro de Ayrton Senna na McLaren e sócio da Toro Rosso. “A sensível evolução de nossa equipe, este ano, deve-se muito a sua capacidade de tirar tudo do carro.” Até o fim de 2010, garante Berger, Vettel continuará a disposição da Red Bull.

“O que mais ficou evidente para mim, desde que me tornei terceiro piloto da BMW, em 2006, é que não há como crescer aqui se você não se desligar de todas as pressões que existem”, afirma o alemão. “Da imprensa, a expectativa criada pelas pessoas e até da própria equipe.”

Fã incondicional de Schumacher e razão de ser, hoje, piloto, segue seu exemplo. Também aqueles em que colocaram em xeque até mesmo seu caráter? “Michael acertou bem mais do que errou, é nisso que me miro. Não levo em conta apenas o sete títulos e 91 vitórias, mas o que representa como pessoa para mim.” Ninguém se arrisca de dizer que Vettel é o novo Schumacher da Fórmula 1, mas que se trata de um supertalento capaz de fazer história já tem gente apostando alto.

FIM

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.