Raikkonen, destruidor de carros?

liviooricchio

16 de março de 2007 | 07h27

A fama existe, verdadeira ou falsa: Kimi Raikkonen é um destruidor de carros. Isso explicaria seus muitos abandonos na carreira. Mas agora tudo será esclarecido, a começar pela prova de abertura do Mundial, em Melbourne. Hoje, a partir da meia noite, será disputada a sessão de classificação para o grid.

O finlandês corre pela mais eficiente equipe da Fórmula 1, a Ferrari. Enquanto na McLaren-Mercedes colecionou quebras e em especial em 2005, que praticamente lhe custaram o título, na Ferrari herdou uma tradição de confiabilidade. Em 11 anos na escuderia italiana, Michael Schumacher retirou-se apenas 3 vezes da corrida por rompimento do motor: Austrália, 1998, França, 2000 e Japão, na temporada passada.

“Era fácil saber a quem pertencia a caixa de transmissão, Ayrton Senna ou Gerhard Berger. Bastava observar o nível de desgaste das engrenagens. As do câmbio de Senna pareciam que não tinham participado da prova”, costumava dizer Jo Ramirez, coordenador da equipe McLaren. Mas e hoje, com a eletrônica controlando tudo, ainda assim é possível a um piloto submeter transmissão, motor, suspensões a desgastes excessivos?

“Sim, é. Ele pode segurar o carro por demais nas reduções de marcha em vez de solicitar também dos freios, elevar os giros sempre ao limite máximo para trocar marcha e tocar nas zebras com violência são exemplos de comportamento que levam o carro a expor-se a maior chance de romper”, explica Jaques Eeckhelart, chefe dos engenheiros de pista da Honda.

Essas reações agressivas com o carro poderiam estar por trás dos 37 abandonos que Raikkonen experimentou na carreira, sendo 26 de natureza mecânica, das quais 12 correspondem a quebra do motor. Desde que estreou na Fórmula 1, em 2001 pela Sauber, e nos 5 campeonatos seguintes pela McLaren, o finlandês disputou 104 GPs. Venceu 9.

Raikkonen já deixou claro que não gosta desse rótulo de não cuidadoso e muito menos de azarado. Quando parceiro de David Coulthard, na McLaren, reagia com irritação ao ser perguntado sobre o porquê de apenas o seu carro apresentar tantas panes. “Lógico, ele é bem mais lento” dizia para virar a cara em seguida.

Fontes próximas ao piloto, que trabalharam com ele na McLaren, não vêem Raikkonen como um quebrador de carros, mas não o consideram um mão de seda, como Alain Prost. Para o finlandês, não há mistério: “Eu acelero. Se a equipe produzir um carro confiável vou chegar ao fim da prova. Não acho que forço nada, apenas procuro ser rápido, como qualquer piloto.” Essa é mais uma das perguntas que começará a ser respondida no GP da Austrália.

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