Raikkonen diz que o problema era a McLaren, não ele

liviooricchio

10 Janeiro 2007 | 14h56

“Buongiorno a tutti!” foram as primeiras palavras de Kimi Raikkonen com o uniforme da equipe Ferrari, hoje em Madonna di Campiglio, na Itália. E, de cara, abordou a delicada questão de seu controverso comportamento fora das pistas, criticado por Ron Dennis, diretor da McLaren, seu ex-time. “Mesmo que eu mudasse minha forma de ser, não adiantaria nada. Nosso problema era um carro não confiável e pouco veloz.” Sobre usar a camisa vermelha da Ferrari, falou: “Ela me aquece mais.”

Curiosamente, Felipe Massa, companheiro de Raikkonen, afirmou hoje também que o substituto do finlandês na McLaren, o bicampeão do mundo, Fernando Alonso, deverá ser o maior adversário dele e do próprio Raikkonen no campeonato que começa dia 18 de março na Austrália. “Será preciso esperar a Renault para ver o que poderá fazer, mas hoje vejo Alonso como nosso maior concorrente às vitórias.” Confiante como nunca na carreira, Massa comentou o que espera de si próprio: “Ano passado meus objetivos eram conquistar o primeiro pódio e a primeira vitória. Consegui. Agora, claro, é vencer o campeonato.”

Ao desejar “Bom dia” em italiano à imprensa, Raikkonen deu o tom da relação que pretende manter com os jornalistas do país da Ferrari, bem como a exigente torcida. “Disseram-me que tudo seria bem mais difícil para mim na Ferrari. Ainda não andei no carro, mas nas reuniões que tivemos na fábrica e nos treinos de Jerez, onde estive, o que percebi foi uma atmosfera bem diferente da McLaren”, falou. “É mais como uma família, as pessoas trabalham felizes, foi um prazer.”

A aposentadoria de Michael Schumacher como piloto deixou o caminho livre para Massa poder impor-se na equipe. “Agora eu sou o veterano aqui. É uma sensação boa. Cresci tanto dentro do time e na Fórmula 1, terminei o Mundial em terceiro lugar”, lembrou. “Evolui em todas as áreas ao lado de Schumacher”, explicou. “Quando dar tudo, a hora de ser mais conservador, enxergar a corrida como um todo, compreender o cenário da prova, saber acertar o carro para a forma como desejo que reaja, as relações com nossos engenheiros.”

Os dois projetaram uma convivência pacífica na Ferrari: “Não sei quão rápido ele será e até mesmo eu, mas me parece fácil de se trabalhar com Felipe. Quanto a ele fazer o primeiro teste com o carro novo, não muda nada”, comentou Raikkonen. Domingo a Ferrari apresenta seu modelo para 2007, em Maranello, e segunda-feira Massa já o testa em Fiorano. “Tive um bom feeling com Raikkonen, chegou com os pés na terra. Se conseguirmos trabalhar juntos para desenvolver um grande carro será ainda melhor”, disse. “Isso poderá permitir que a luta pelo título seja entre nós, o que seria ótimo para a equipe.”

A respeito de primeiro e segundo piloto, Raikkonen e Massa foram explícitos: “Depende de quem será o mais veloz.” O conhecimento e a experiência de Schumacher, concordaram, poderá auxiliar muito a evolução do novo carro. A estréia de Raikkonen na Ferrari não está definida, mas será nos próximos dias. Segunda-feira à noite, no jantar de apresentação do evento de Madonna di Campiglio, muitos jornalistas ficaram discretamente atentos ao que Raikkonen bebia. Em algumas ocasiões suas extravagâncias chegaram aos jornais. Não foi o caso desta vez. Também, só faltava essa!