Raikkonen ou Grosjean o oitavo vencedor? Treinos sugerem ser possível.

liviooricchio

22 de junho de 2012 | 18h30

22/VI/12
Livio Oricchio, de Valência

O treino que vai revelar com maior precisão se Kimi Raikkonen ou Romain Grosjean, da Lotus, ex-Renault, podem mesmo se tornar o oitavo vencedor distinto da temporada será disputado hoje, com a definição do grid do GP da Europa, em Valência. Mas as duas sessões livres de ontem sugerem que essa possibilidade é real, atestada pelo comentário dos dois pilotos. “Começamos bem o fim de semana. Meu tempo não reflete o potencial do nosso carro nessa pista”, disse Raikkonen. “Na minha melhor volta com o pneu macio enfrentei tráfego.” O finlandês registrou o 11.º tempo, a 611 milésimos do mais veloz, Sebastian Vettel, da Red Bull.

Grosjean explicou ontem que, conforme a equipe esperava, o comportamento do modelo E20-Renault, em condição de corrida, o deixa confiante para as 57 voltas no Circuito da Comunidade Valenciana, amanhã. “Nosso long run (série seguida de voltas com o mesmo jogo de pneus) é muito bom, com os pneus médios e os macios. Será importante, mas não fundamental, realizarmos amanhã (hoje) uma boa classificação.” O treino começa às 9 horas de Brasília e terá transmissão ao vivo da TV Globo.

“Se conseguirmos um lugar nas primeiras filas ficará menos dificil conquistar a primeira vitória considerando o carro que temos para domingo”, comentou o campeão do mundo de 2007, Raikkonen. O GP da Europa é o sétimo do campeonato e até agora cada prova teve um vencedor diferente, o que nunca havia ocorrido na história de 62 anos da Fórmula 1. A lista de candidatos a oitavo vencedor não se restringe apenas à dupla da Lotus. Trata-se da edição do Mundial mais aberta a surpresas.

O calor é um fator determinante na etapa de Valência. A temperatura caiu ontem de 37 graus, na quinta-feira, para 26, conforme a meteorologia previa, mas para hoje e amanhã voltará a subir, atingindo os 30 graus. Para se ter uma ideia do grau de competição atualmente na Fórmula 1, entre o tempo de Vettel no treino livre de ontem à tarde, 1min39s334, e o de Felipe Massa, Ferrari, o 15.º, a diferença foi de 910 milésimos, um piscar de olhos.

O autor do melhor tempo, curiosamente, não estava satifeito. A Red Bull é a equipe com mais modificações no carro em Valência. Aerofólio dianteiro, assoalho, difusor, laterais, suspensão traseira são novos. É muita coisa. “Precisamos entender melhor o RB8 com tantas novidades”, comentou Vettel, diminuindo a importância de ter sido primeiro. “Preservar os pneus será essencial nessa corrida, ainda que o desgaste hoje tenha sido menor do esperado”, explicou o alemão, terceiro no Mundial, com 85 pontos, diante de 88 de Lewis Hamilton, McLaren, 86 de Fernando Alonso, McLaren, e 79 de Mark Webber, Red Bull.

Hamilton, vencedor em Montreal, apenas o 14.º ontem, acredita que hoje, na definição do grid, sua McLaren será outra. “Começamos este GP com um acerto básico errado, ao contrário dos anteriores este ano. Mas temos a noite para trabalhar e mudar tudo”, afirmou o inglês. E como o companheiro, Jenson Button, adotaria seu ajuste do carro, para ajudar a sair da fase ruim que atravessa, também ficou lá atrás, 12.º.

Massa estava longe de parecer preocupado com seu tempo. “Fizemos muitos testes com o carro e escolheremos, agora, os componentes que nos deixarão mais rápidos.” A marca registrada é o resultado de um erro na melhor volta do pneu macio. “Acredito que teremos um carro muito rápido para a classificação”, afirmou. O modelo F2012 tem como o da Red Bull várias mudanças: novo aerofólio dianteiro, assoalho e difusor. Entre Massa e o companheiro, Alonso, sétimo a 399 milésimos de Vettel, a Ferrari percorreu mais de 600 quilômetros, ontem.

O discurso do espanhol dá a entender que será difícil lutar pela pole, hoje, diante de sua torcida, pouco numerosa nas arquibancadas por causa da séria crise econômica do país. “Será menos importante largar na frente que preparar bem o carro para fazer os pneus funcionarem corretamente. Se a temperatura do asfalto variar 4 ou 5 graus, com a presença ou não de nuvens, o comportamento do carro já muda.” Depois citou o forte vento que começou a soprar no circuito como um fator a ser levado em conta.

Enquanto o vento soprava do interior para o mar, quinta-feira, tornando a umidade do ar baixíssima, de 12 a 19%, e a temperatura atingir 37 graus, ontem sua direção mudou. E com isso, o clima. Ao soprar, agora, do mar para o continente, o ar trouxe umidade, elevando-a para 66%, em média, e reduziu sensivelmente o calor, com a temperatura variando de 23 a 26 graus.

Para obter os resultados que podem lhe manter na Williams em 2013, conforme Bruno Senna falou quinta-feira, classificar-se dentre os dez melhores hoje ajudaria muito, por facilitar sua corrida. E começou bem o GP da Europa com o quinto tempo, ontem. “Temos carro para largar dentre os dez primeiros”, afirmou, muito feliz. O companheiro, Pastor Maldonado, foi o mais rápido de manhã.

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