Raikkonen vai processar jornal italiano

liviooricchio

24 de agosto de 2006 | 14h28

Reportagem de F-1: Raikkonen começa mal a relação com a imprensa italiana
GP da Turquia
Livio Oricchio, de Istambul

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A Ferrari ainda não anunciou oficialmente, mas quase toda a Fórmula 1 dá como certa a formação Kimi Raikkonen-Felipe Massa para 2007. Michael Schumacher, de acordo com a maioria das pessoas próximas ao piloto, se aposentará. O alemão promete falar de seu futuro na próxima etapa do Mundial, dia 10, na Itália. Mas antes mesmo de iniciar sua trajetória na Ferrari, Raikkonen já entrou em rota de colisão com a imprensa italiana.
Ontem, no circuito Istambul Park, onde hoje começam os treinos livres do GP da Turquia, Raikkonen afirmou: “Eu li que perdi a carta de motorista por dirigir bêbado. Não sei quem escreveu mas, com certeza, será processado e veremos os desdobramentos da história.”
O diário esportivo Gazzetta dello Sport, do grupo Fiat, a quem pertence também a Ferrari, publicou, na edição de quarta-feira, que Raikkonen fora surpreendido pela polícia, domingo à noite, depois do GP da Hungria, dia 6. Por estar alcolizado, teve o passaporte retido além de pagar multa de Euros 7.500. Em conversa informal com a imprensa finlandesa, Raikkonen confirmou ter saído depois da corrida, junto de Vitantonio Liuzzi, piloto da Toro Rosso, bebido, mas que não dirigiu. “Eu deixei minha carteira no hotel, por esquecimento, e depois, quando regressei, estava tudo lá, carteira de motorista e dinheiro, que aliás, uso pouco, por recorrer quase sempre ao cartão de crédito”, explicou o piloto da McLaren.
Era visível a irritação de Raikkonen com a divulgação da notícia, segundo ele, “mentirosa.” Sugeriu aos jornalistas de seu país que perguntassem a Liuzzi o que, de fato, ocorreu em Budapeste naquela noite. Sincero, admitiu ter tomado algumas bebidas a mais, mas que, fora do ambiente de trabalho, “ninguém tem nada a ver o que faz.” A Ferrari não pensa assim, mas ainda ele está sob contrato com a McLaren. No fim, disse: “Com certeza vamos decidir o caso na Justiça. Não quero mais falar nisso.”
A proibição do uso do amortecedor de massa, definido pelo Tribunal de Apelo da FIA, terça-feira, foi assunto, ontem, para os dois pilotos que disputam o título, Fernando Alonso, da Renault, líder do campeonato com 100 pontos, e Michael Schumacher, Ferrari, segundo colocado, 90. O espanhol, lógico, não deu o braço a torcer: “Não sinto diferença alguma ao pilotar o carro com ou sem o amortecedor de massa.”
Nas duas provas em que não pôde contar com o recurso, sua equipe perdeu desempenho. “Não concordo. Na Alemanha erramos na escolha dos pneus e na Hungria éramos os mais rápidos na pista até os incidentes.” Como o diretor-geral da Renault, Flavio Briatore, Alonso não poupou a FIA: “É estranho que só agora, um ano depois de termos no carro o amortecedor de massa, descobriram que é ilegal. E nós sabemos que não é verdade.”
Embora não demonstrasse, Schumacher, por razões óbvias, gostou da decisão do caso. “Às vezes é preciso aceitar uma definição que joga contra os nossos interesses, como ocorreu conosco ainda este ano, quando nos proibiram de usar nosso aerofólio dianteiro original.” A respeito de o sistema ajudar a Renault enfrentar a Ferrari, comentou: “Se não fosse eficiente eles não teriam concentrado tanto interesse no seu desenvolvimento como fizeram.”
Faz calor em Istambul. Ontem a temperatura no horário em que será a largada, domingo, 8 horas (horário de Brasília), 14 horas local, era de 32 graus.

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