Razia, espetacular na GP2 em Valência

liviooricchio

24 de junho de 2012 | 08h58

24/VI/12
Livio Oricchio, de Valência

O carro da Arden não era, com certeza, o mais rápido em Valência no fim de semana. Mas a equipe tinha o piloto mais eficiente: Luiz Razia. O baiano somou o maior número de pontos, 30, dentre os 26 que disputaram a 11.ª e a 12.ª etapa do campeonato da GP2 e ficou a apenas um ponto do líder da competição, o italiano Davide Valsecchi, da DAMS, sem nenhum ponto no Circuito da Comunidade Valenciana, 141 a 140.

A sala de imprensa aplaudiu Razia no momento da bandeirada, ainda há pouco. Seu desempenho foi absolutamente excepcional na segunda corrida. Terceiro colocado ontem, na primeira, depois de largar em 11.º, o piloto da Arden largou em sexto, pelo critério do grid invertido dentre os oito primeiros. “Tínhamos a opção de usar, a partir desta prova, o jogo de pneus novos no sábado ou no domingo. Antes era obrigatório no domingo. E a maioria optou pelo sábado. Eu guardei para hoje”, explicou Razia.

A manobra que lhe garantiu a vitória foi espetacular. Última das 23 voltas no traçado de 5.419 metros. O excelente piloto inglês James Calado, da Lotus, estreante este ano na GP2, liderava com o suíço Fabio Leimer, da Racing, em segundo, tentando ultrapassá-lo de todas as formas. Razia os seguia de perto, em terceiro.

“Sabíamos que esse pessoal ficaria sem pneus no final. Tinham os pneus usados e exigidos pela luta entre ambos. A 10 voltas da bandeirada recebi o sinal verde do meu engenheiro para começar a atacar e passei a ser um segundo mais rápido que eles. Os pneus Pirelli acabam de uma vez. Encostei nos líderes sabendo que poderia ultrapassá-los.”

Na curva 17, um cotovelo, lembrando que a pista tem 25, Leimer colocou seu Dallara-Renault V-8 de 4 litros, 600 cavalos, por dentro na freada, a fim de ganhar a posição de Calado. Razia veio por fora dos dois. Praticamente percorreram juntos a curva lado a lado, lutando pelo primeiro lugar. Na realidade a vitória, pois o diretor de prova os aguardava para a bandeirada menos de um quilômetro adiante.

Como a curva seguinte, 18, era para a esquerda, por estar por fora na 17 Razia ficou com a preferência, a percorreria por dentro. Para facilitar as coisas, Lemer e Calado se tocaram, ainda, na curva 17.

“Não acreditiva nos últimos 300 metros, só faltavam duas curvas para uma vitória muito especial para mim”, disse Razia. Este ano havia sido primeiro na abertura na temporada, na primeira prova da Malásia, e na segunda da Espanha. No total, tem seis pódios em 2012. “A disputa pelo título sempre esteve aberta”, afirmou. Sempre acreditou que poderia tirar a vantagem de Valsecchi. “Mas não é a hora de pensar em campeonato. Pode ser que venha, mas não penso nisso,”

A festa dos integrantes da Arden foi completa. E dentre eles o seu proprietário, Gary Horner, pai de Christian Horner, diretor da equipe Red Bull de Fórmula 1. Também porque Valsecchi, que parecia ter o título nas mãos antes do GP de Mônaco se viu numa posição, agora, bastante delicada. O italiano está na sua quinta temporada na GP2. Razia, terceira. Restam 12 corridas, seis etapas, para o fim do campeonato.

“Fomos muito bem no circuito de Sepanga, na Malásia, e Silverstone, próxima etapa, é como lá um traçado rápido. Vou confiante para lá”, disse Razia.

Felipe Nasr, da DAMS, teve problemas no sistema de aceleração e abandonou a corrida de sábado, depois de ser o segundo no grid. Hoje largou em 19.º e terminou em 14.º. É o 12.º no campeonato, com 28 pontos. Victor Guerin, da Ocean, começou a primeira corrida, sábado, em 24.º, e recebeu a bandeirada em 18.º. Hoje começou em 17.º e acabou em 18.º. Disputa a GP2 apenas a partir de Barcelona e não tem pontos.

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