Recado já de Xangai

liviooricchio

01 de outubro de 2007 | 14h08

01/X/07
Xangai

Olá amigos!

Acabei de chegar a Xangai. A cidade onde me encontrava, Fujiyoshida, no Japão, se você observar no mapa, verá que não é lá tão longe assim daqui, mas você acredita que demorei a segunda-feira inteira para me deslocar de Fujiyoshida para Xangai?

Táxi, ônibus, trem, ônibus, avião, tempo de espera em cada parada fazem isso. Estou acostumado e não incomoda demais. É o preço gostoso por cobrir a Fórmula 1.

E, olha, daqui a pouco estarei de volta ao aeroporto porque embarco bem cedo para Pequim, a fim realizar um trabalho para o Grupo Estado. Preparatório para a equipe que irá cobrir a Olimpíada, ano que vem. Estou num hotel na área de Pudong, o imenso aeroporto de Xangai.
Acabei de ler os comentários, sempre com imensa atenção.

Reconheço ficar no ar algumas perguntas sem resposta. Mas sem desejar me justicar demais, imagine a situação de agora, por exemplo: no pouco tempo, horas apenas, que estou aqui em Xangai, o máximo possível é ler tudo, redigir um texto genérico, tomar um banhinho, colocar o pijama de flanela, como já descrevi aqui, o gorrinho de pompom, certificar-me de que o peniquinho está debaixo da cama numa posição estratégica, para uma emergência balística, e o copo com água, claro, para a dentadura.

Mas diante do que li nos comentários, vou deixar esfriar um pouco meu hamburger com fritas – sempre uma garantia de saber mais ou menos o que se irá comer universalmente – porque não conseguiria dormir sem expressar o que penso sobre os recentes debates do blog.

Chico, és muito bem vindo. Carlos Miguel, jornalista do AS, é grande amigo. E mais que meu amigo, é torcedor explícito do Fernando Alonso. Ainda: uma espécie de sócio-fundador do fã clube do asturiano, com carteirinha número zero e título remido. Brinco com ele regularmente sobre isso.

Não diga nada aos outros amigos deste espaço: sou o maior fã do Alonso também. Mas deixa te contar uma coisinha. O homem fez com que o revesse este ano. Na hora que põe a bunda no cockpit continua brilhante como sempre. O acompanho de perto desde a Fórmula 3000. Mas perdeu-se emocionalmente com a disputa com o Hamilton.

Sua postura chorosa não o diminui em nada como piloto, no fundo o que mais me interessa. Sábado, no fim da tarde, Alonso estava no espaço reservado à McLaren, com sua esposa ou namorada, nunca sei, e um grupo de pessoas conversava informalmente, dentre eles eu. Claro que me limitei a quase só ouvir, compreender melhor como pensa, sua leitura dos fatos, da vida. Isso também corrobora para conhecermos melhor o piloto, imaginar como ele pode reagir em determinada situação.

Enfim, o aprecio profundamente, mesmo expondo, este ano, uma faceta surpreendente, caracterizada pela necessidade de justificar a perda da disputa para o companheiro de equipe: um jovem e inexperiente na Fórmula 1 contra um bicampeão do mundo que tinha, até então, todas as atenções do mundo. A diferença é que agora a está dividindo. Para um homem que fez há dois meses 26 anos foi demais.

Está deixando a McLaren, tudo indica, por não desejar conviver com essa situação e não o eventual favorecimento a Hamilton que só existe na sua ficção. É uma espécie de maneira de provar a si próprio a razão de estar, na média, perdendo a competição.

Mas o que desejava dizer não é nem isso. Estou inspirado não? O contraponto de idéias é a essência para crescermos seja lá qual for a atividade. Se você ler os comentários, verá que minha opinião é constantemente contestada. Ótimo. Alguns se excedem e partem para o ataque pessoal. Dependendo do que for, penso não caber aqui e simplesmente deleto o comentário. É raro.

O que tem caracterizado este espaço onde todos, sem exceção, evoluem no tema Fórmula 1 é a dialética respeitosa. Diga, por favor: Livio, sua análise está carregada de italianismos, como leio por vezes. Minha visão é oposta a sua por isso…

Agora, eu, você, o Marcão, seja quem for, enveredarmos pelas acusações extra-Fórmula 1 porque eu, digamos, escrevi “chícara de xá” (não espalha mas o exemplo é real) não vai contribuir para o que buscamos nessa tribuna: expor nossa visão do fantástico universo que é a Fórmula 1. Aos homens de abertura, também assimilar o que outros, igualmente capazes de enxergar um pouco mais longe, nos oferecem.

Não estou falando que nosso foco é exclusivo no que ocorre dentro do autódromo, por favor. Eu seria um péssimo exemplo, já que comento até sobre o meu pijama de bolinhas (ai se essa história sair do nosso convívio!). Mas de repente, como vi, quase discussão entre dois entusiastas de Fórmula 1, no limite da respeitabilidade, por atributos pessoais, não me parece ser o caso de apreciarmos. Não irá nos acrescentar. Estamos fugindo do princípio que nos une aqui.

Nossa, uma da manhã. O shuttle sai às 7 horas para o aeroporto e ainda não comi. Queridos amigos, obrigado pela paciência. Só mais comentariozinhozinho, vai? Ninguém está dizendo que o Lewis Hamilton é o Michael Schumacher ou Ayrton Senna, nem mesmo o Fernando Alonso, ainda. Mas que ele já emociona quem ama o automobilismo emociona.

Abraços!

Marcão:
Como assim, “que talvez o Livio vá no nosso encontro em São Paulo, depois do fim da temporada?”
Quer dizer, então, que não serei convidado, é? Francamente!
Abraços!

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: