Red Bull aliviada com vitória em Spa

liviooricchio

29 de agosto de 2011 | 15h07

28/VIII/11

Livio Oricchio, de Spa

  Sebastian Vettel não soube responder, ontem, depois da bela vitória no emocionante GP da Bélgica, se a volta do seu veloz ritmo de corrida, semelhante ao das seis primeiras colocações anteriores na temporada, decorreu do avanço do carro da Red Bull ou das características do circuito de Spa-Francorchamps, favoráveis aos modelos projetados pelo diretor-técnico da equipe, Adrian Newey. Contrariamente à tradição da prova, ontem não choveu, o que permitiu algumas das mais espetaculares ultrapassagens do ano.

  A resposta à questão proposta a Vettel é determinante para o que pode se passar nas sete etapas restantes do campeonato, a começar pela próxima, dia 11, no veloz traçado de Monza, na Itália, casa da Ferrari, quarta colocada, ontem, com Fernando Alonso, e oitava com Felipe Massa. Mark Webber, companheiro de Vettel, segundo no GP da Bélgica, confessou a apreensão do time antes da prova de Spa. “Havia tensão no grupo. Algumas pistas que também deveriam ser favoráveis a nós, como Silverstone, acabaram não sendo.”

  Por isso, na sua visão, as várias novidades introduzidas no RB7 durante as “férias” o tornaram mais veloz, a ponto de vencer a McLaren e a Ferrari, para quem havia perdido as corridas da Grã-Bretanha, Alemanha e Hungria, as três últimas do calendário. “O resultado de hoje é muito especial para a equipe”, afirmou. Vettel acrescentou que seu carro se tornou mais rápido onde normalmente não era, “no primeiro e terceiro segmento do circuito”, em que a velocidade nas retas é o mais importante.

  Em seus 11 anos de Fórmula 1 Jenson Button, da McLaren, poucas vezes expressou tanto desapontamento quanto ontem. Completou o pódio em terceiro, tendo largado por um erro da McLaren, na classificação, em 13.º. “É uma pena. Tínhamos velocidade para desafiar esses dois rapazes”, disse, olhando para Vettel e Webber, durante a entrevista coletiva. “Se tivesse largado mais na frente no grid, a história da prova poderia ser outra.”

  Parece proceder, o que permite imaginar que o terço final do campeonato vai ser mais semelhante às corridas em que Red Bull, McLaren e Ferrari lutaram pela vitória que a conquista sem maior resistência de Vettel, ontem, embora com todos os méritos. Button registrou a segunda melhor volta do GP da Bélgica, 1min50s062, apenas 179 milésimos mais lento de Webber, o mais veloz, e 389 melhor que Vettel.

  O dado combinado com a segunda colocação de Lewis Hamilton no grid, sábado, atrás de Vettel, mas na frente de Webber, reforça a ideia de que não fosse também Hamilton se envolver em outro acidente, desta vez com Kamui Kobayashi, da Sauber, a Red Bull e a McLaren lutariam pela vitória no circuito de Spa-Francorchamps. O acidente de Hamilton gerou a entrada do safety car, na 12.ª volta, o que ajudou Vettel. O alemão, atual campeão do mundo, fez seu segundo pit stop e perdeu menos tempo. Necessitava disso, por realizar três paradas enquanto Webber, duas. O desgaste de pneu era tal para a Red Bull que já na quinta volta Vettel fez o primeiro pit stop.

  Alonso foi claro quanto ao que a Ferrari poderia fazer ontem: “Aqui na Bélgica não daria para pensar em vencer”. O espanhol chegou a liderar a corrida. “Depois, com os pneus médios, equivalentes aos duros, mostramos de novo nossas deficiências.” Enquanto utilizou pneus macios, sua velocidade era equivalente à da Red Bull e McLaren. “É fundamental para nossa equipe entender as razões de nós não atingirmos a temperatura de aderência dos pneus mais duros e nossos adversários sim, a fim de resolver o problema no carro de 2012”, falou Alonso.

  A natureza do circuito associada às características dos pneus Pirelli expuseram melhor os dotes de perícia e coragem de vários pilotos, ontem, dentre eles Michael Schumacher, da Mercedes (ler ao lado). O GP da Bélgica registrou ultrapassagens marcantes, todas sob elevadíssima velocidade, como a de Webber em Alonso, na nona volta, na Eau Rouge, de Vettel em Nico Rosberg, Mercedes, um dos destaque da prova, sexto, na Blanchmont, por fora, e de Hamilton em Massa, na sexta volta, na também veloz curva Pouhon. Agora todos vão para Monza que, pelo histórico de ultrapassagens do ano, não deverá ser diferente.

 

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