Red Bull definitivamente assume o papel da Brawn GP

liviooricchio

14 de julho de 2009 | 06h10

14/VII/09
Livio Oricchio, de Nice, França

Não é preciso compreender de Fórmula 1. Basta observar a classificação do campeonato, prova a prova, para compreender que está em curso, há duas corridas, uma inversão de papéis: o domínio que foi da Brawn GP na primeira metade da temporada, com quatro vitórias seguidas de Jenson Button, por exemplo, deslocou-se para a equipe Red Bull, de Sebastian Vettel e Mark Webber, já segundo e terceiro no Mundial.

Button continua líder, mas seu companheiro, Rubens Barrichello, já caiu de segundo para quarto depois da segunda dobradinha seguida da Red Bull, domingo, agora no GP da Alemanha. Ross Brawn, sócio e diretor do time inglês, tem tanta consciência do perigo que o avanço do projeto do genial engenheiro Adrian Newey, responsável pelo carro da Red Bull, representa que já em Nurburgring interveio para Button classificar-se na frente de Rubinho, ainda que por um ponto apenas, quinto a sexto lugar, e negue de pés juntos a intervenção.

“Eu não estou surpreso com o que a Red Bull vem apresentando”, diz Brawn. “Nós, a Toyota e a Williams tínhamos um conceito de carro que os demais não. Quando eles passassem a dispor sabíamos que cresceriam bem mais que nós.” Esses três times iniciaram o campeonato com a estrela técnica da temporada, o difusor duplo, concepção da porção traseira do assoalho do carro capaz de oferecer maior pressão aerodinâmica e, portanto, maior velocidade nas curvas.

“Eles chegaram e já nos passaram”, define Rubinho, em relação ao que têm feito Vettel e Webber. “Se não introduzirmos mudanças profundas no nosso carro nós não venceremos mais corridas”, diz Button, preocupado, claro, mas ainda com boa folga na classificação: 68 pontos diante de 47 de Vettel, 45,5, Webber, e 44 Rubinho. As duas escuderias estão muito à frente das demais. Felipe Massa, quinto colocado, soma 22 pontos.

“A versão que estreamos no GP da Grã-Bretanha (dia 21 de junho) representou já uma evolução do primeiro modelo que usamos em Mônaco. Lá tínhamos apenas o duplo difusor, ao passo que em Silverstone todo o carro foi concebido para explorar as imensas potencialidades do duplo difusor”, explica Newey. “E estamos compreendendo, ainda, muita coisa. Penso que a evolução não só do nosso time, mas dos que continuarem investindo nos atuais modelos será grande, é um campo novo.”

“A Red Bull tem uma base boa e que vale a pena concentrar o desenvolvimento. Eles vão disputar o título até as etapas finais. O campeonato dará uma reviravolta, aliás já está dando”, comenta Flavio Briatore, diretor da Renault. “Não será fácil para a Brawn GP vencer. E penso também que os pilotos da Red Bull são melhores.” A Renault, como todos os demais times, já trabalha muito mais no modelo de 2010 que no desenvolvimento do atual, pelas profundas implicações necessárias para conceber o carro para o difusor duplo funcionar.

“Nossa suspensão traseira tem o conjunto mola-amortecedor sob o câmbio, o que impede, em princípio, de o ar atingir o duplo difusor. Tivemos de rever todo o projeto”, explica Newey. E valeu a pena investir. “A vantagem que a Red Bull tem sobre todos os demais é maior do que a nossa no início do campeonato”, avalia Rubinho. A próxima etapa do calendário será dia 26, em Budapeste, na Hungria, décima do ano. “Aposto que eles (Red Bull) vêm rápidos lá também”, afirma Massa, contra a impressão geral que em pistas quentes e de média horária mais baixa Vettel e Webber disponham de vantagem menor.

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