Red Bull deve começar temporada na frente

liviooricchio

13 de fevereiro de 2011 | 17h25

13/II/11

Livio Oricchio, de Nice

   O números na Fórmula 1 são ingratos. Ontem Rubens Barrichello, com a nova e avançada Williams FW33, foi o mais rápido no último dia de testes em Jerez de la Frontera, na Espanha. E quinta-feira, primeiro dia, Felipe Massa, com a nova e conservadora Ferrari F150th, também estabeleceu o melhor tempo.

  Mas isso não significa que o Brasil terá dois pilotos na luta pelas vitórias. Ao menos não necessariamente. Quem acompanhou os treinos, dentre ele até mesmo muitos pilotos da própria Fórmula 1, consideram que Sebastian Vettel, campeão do mundo em 2010, da Red Bull, dispõe nesse momento do carro mais veloz, apesar de ontem ter registrado apenas o oitavo tempo.

  “A Red Bull está na frente”, afirma Rubinho, categoricamente. “Depois está tudo embaralhado, não dá para saber ao certo, ainda”, diz o mais experiente piloto da Fórmula 1, que reconheceu ter obtido a melhor marca dos quatro dias de ensaios em condições favoráveis: a temperatura mais apropriada, de manhã, e o uso de pneus novos. “Mas o potencial da Williams este ano é maior que na temporada passada.”

  Adrian Newey, projetista da Red Bull, já havia antecipado: “A equipe que melhor aprender a usar os novos pneus (Pirelli em substuição aos Bridgestone) será a que, ao menos no princípio, conquistará as vitórias.” É por esse motivo que Vettel, seu parceiro, Mark Webber, e os engenheiros da Red Bull preocuparam-se muito mais em encontrar ajustes que aumentem a vida útil dos pneus, bastante curta este ano. Os dois juntos completaram 395 voltas, ou 1.749 quilômetros, sem atenção maior às marcas registradas.

  “A velocidade deles é impressionante”, comenta Rubinho. “Em especial nas curvas de alta, como no ano passado”, falou. “Até a abertura do Mundial (dia 13 de março, em Bahrein), muita gente vai crescer, mas eles também. Acredito que comecem o ano na frente.” Em relação ao projeto de 2010, Newey reduziu o que pôde os componentes mecânicos do conjunto traseiro, a fim de recuperar parte da pressão aerodinâmica perdida, este ano, com a proibição do duplo difusor.

  Conversei por telefone sábado, com dois amigos profissionais da área técnica de equipes de Fórmula 1, presentes em Valência e Jerez, que acompanharam com proximidade o desenvolvimento do teste da Red Bull. Eles não hesitam em acreditar que a hora em que todos estiverem sob as mesmas condições, Vettel e Webber vão demonstrar superioridade maior que no ano passado. Agora eu, de novo: Vettel ainda mais eficiente que no ano passado, pela serenidade que o título em geral traz aos pilotos e por pesar 10 quilos a menos de Webber, num ano em que os ensinamentos de 2009, estreia do Kers, ainda estão bem vivos. A vantagem dos pilotos mais leves por vezes impressionava. Estarei em Barcelona para acompanhar essas histórias de perto.

  A Ferrari já sabe que tem um carro de boa confiabilidade também, como a Red Bull. Entre Felipe Massa e Fernando Alonso, percorreu 463 vezes a pista espanhola de 4.428 metros, ou 2.050 quilômetros, a que mais treinou. “Estamos no caminho certo”, disse Massa. Ontem Alonso, terceiro tempo, comentou: “Desconhecemos como nossos adversários testaram. Nós podemos responder por nós e estamos satisfeitos.” O modelo F150th da Ferrari não tem nenhuma solução mais arrojada, como Red Bull, McLaren, Renault e Williams, por exemplo.

  Dentre os times mais estruturados, McLaren e Mercedes estão atrás da concorrência depois da série de testes em Valência e Jerez. Michael Schumacher, da Mercedes, reconheceu sábado: “Temos problemas para resolver”, referia-se à resistência e velocidade do modelo W02. Ontem, com Nico Rosberg, não dei mais de 45 voltas, com 1min22s103, sétimo. E Lewis Hamilton e Jenson Button andaram menos de todos os grandes: 232 voltas, 1.027 quilômetros, metade da Ferrari. O MP4/26 tem aerodinâmica revolucionária e necessita de mais tempo para desenvolvimento. Ontem Button deu 70 voltas, 1min22s278, nono.

  Bruno Senna reconheceu, ontem, que a eventual decisão da direção da Renault em contratar o experiente alemão Nick Heidfeld, para substituir Robert Kubica, acidentado, é acertada. “Eles necessitam de um piloto pronto.” Bruno testou o modelo R31 da Renault, em Jerez. “Fantástico, foi meu segundo na Fórmula 1”, disse. Bruno completou 90 voltas e fez 1min21s213 na mais rápida, quinta do dia.

  O que está claro e não há dúvida: as corridas serão bem menos previsíveis, pois haverá muitos pit stops. O desgaste dos pneus continua elevado apesar de as equipes acertarem os carros cada vez mais às suas características . Os próximos treinos da Fórmula 1 serão de sexta-feira a segunda-feira no Circuito da Catalunha, em Barcelona, na Espanha.

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