Red Bull levará dúvidas para a Austrália

liviooricchio

06 de março de 2012 | 06h30

05/III/12
Livio Oricchio, de Nice
 
  Sábado, no Circuito da Catalunha, ao abrir os boxes para iniciar o penúltimo dia de testes da pré-temporada, a Red Bull tinha quase que um novo carro em relação ao usado nos dez dias de treinos realizados até então. Adrian Newey, diretor técnico, manteve o grupo de engenheiros extremamente ativo no túnel de vento na sede da equipe, em Milton Keynes, Inglaterra, e como resultado o modelo RB8-Renault ganhou uma nova versão aerodinâmica.
 
  Ocorre que Mark Webber completou apenas 70 voltas e, pior, no dia seguinte e último, um acidente e a quebra do câmbio impediram Sebastian Vettel de dar mais de 23 voltas. Conclusão: a Red Bull desconhece o modelo que deverá ser utilizado na abertura do Mundial, dia 18 em Melbourne, na Austrália. Vettel não pôde fazer a simulação de corrida programada para domingo. Ontem o diretor da equipe, Chistian Horner, procurou diminuir a importância do ocorrido.
 
  “No ano passado foi mais difícil, com os problemas no Kers (sistema de recuperação de energia), a ponto de não podermos usá-lo na primeira prova”, explicou Horner. Mesmo com sérias dificuldades no Kers, ao menos na fase inicial do campeonato, Vettel dominou amplamente a temporada, com 11 vitórias e 15 poles.
 
  Mas apesar da tentativa de relevar as dificuldades em Barcelona, é verdade que a Red Bull vai para o Circuito Albert Park sem ter certeza de como seu carro vai se comportar. E o sutil sistema de canalização dos gases de escapamento para o difusor, na porção traseira do assoalho, pareceu ser bastante complexo a fim de respeitar, claro, o regulamento. Com certeza os adversários da Red Bull, em especial a McLaren, o time de desempenho mais próximo, gostaram de saber que a escuderia bicampeã do mundo levará dúvidas para a Austrália.
 
  De um extremo do grid para o outro. Ontem, as duas equipes que não fizeram nenhum teste com seus modelos de 2012 o puseram na pista pela primeira vez. A Marussia fez o shakedown do carro em Silverstone e a HRT, em Barcelona. O acordo com a McLaren para a cessão de tecnologia gerou, para a Marussia, um monoposto sem degrau no bico, como o da McLaren, única até então. Pela primeira vez a escuderia russa, com sede na Inglaterra, pôde realizar testes em túnel de vento. Até então, projetou seus dois modelos anteriores apenas baseando-se nas simulações do comportamento dos fluxos de ar em programas de computador (CFD).
 
  As duas vão competir com motor Cosworth. Como a outra estreante em 2010, a Caterham, deu significativo passo adiante, este ano, dentre outras razões por causa do acordo estabelecido com a Red Bull para uso da sua transmissão e Kers, Timo Glock e o estreante Charles Pic, da França, ambos da Marussia, e o experiente Pedro de la Rosa e Narain Karthikeyan, da HRT, provavelmente apresentarão diferença de desempenho expressiva para todos os demais. Devem ser bem mais lentos.
 
  Os dois times não passaram no rigoroso teste de resistência a impacto gerenciado pela FIA, o que exigiu revisões do projeto do monoposto, impedindo-o de participar da pré-temporada. Este ano, antes de os carros irem à pista têm de ser aprovados no crash test.
  Tenho um ponto de vista a esse respeito. Organizações novas, como Marussia e HRT, com cidadãos idealistas, amantes do automobilismo, devem contar com todo tipo de apoio possível dos responsáveis da Fórmula 1 para prosseguirem com projetos. Mas uma vez que não realizaram um único teste antes de o campeonato começar, não deveriam ir direto para a abertura do Mundial.
  Completar as primeiras voltas dos carros nos treinos livres é expor todos a riscos maiores dos já existentes. Chegamos ao cúmulo, em 2010, de a Hispania fazer o shakedown do carro de Chandok em plena sessão de classificação no sábado. É uma agressão aos princípios mais básicos de segurança.
  Marussia e HRT deveriam treinar sozinhas, agora que seus monopostos foram aprovados pela FIA, e entrar, por exemplo, numa fase mais adiantada do campeonato. Sei que há questões sérias de transporte. Esses dois times não teriam como enviar o material todo sozinhas, fora do bloco da Fórmula 1, o valor seria irreal, mas por conta de atenuar sua despesa e viabilizar a viagem para a Malásia, segunda etapa do Mundial, todos têm de se expor a uma situação de maior risco?
  Essa política mais rígida com a segurança obrigaria as duas e outros que experimentem o mesmo a levar em conta a possibilidade de ficar de fora do começo da temporada. Certamente encontrariam recursos de colocar seus carros nos treinos coletivos junto dos demais. O preço de ficar de fora das primeiras corridas é bem mais alto que descobrir formas de seguir as regras da competição e acompanhar, ainda que parcialmente, a maioria nos ensaios gerais.
 
  Massa
  O piloto da Ferrari dará entrevista coletiva quinta-feira, em São Paulo, na apresentação de uma empresa brasileira como nova patrocinadora da escuderia italiana. Obviamente será questionado a respeito da sua difícil pré-temporada, a ponto de o diretor técnico da Ferrari, Pat Fry, afirmar não esperar pódio no começo do campeonato.
 

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