Renault deverá ser, de novo, bem forte no início do Mundial

liviooricchio

19 de janeiro de 2007 | 17h15

A equipe bicampeã do mundo, a Renault, completou hoje em Jerez de la Frontera, na Espanha, a primeira série de treinos com o seu novo carro, o modelo R27. O estreante Heikki Kovalainen completou 112 voltas no traçado de 4.428 metros e seu companheiro, Giancarlo Fisichella, 68.

Na última corrida de Fórmula 1 disputada no circuito da Andaluzia, em outubro de 1997 – GP que definiu o título mundial para Jacques Villeneuve, da Williams -, a prova teve 69 voltas. O finlandês, portanto, quase percorreu a distância equivalente a dois GPs, enquanto o italiano, uma etapa do campeonato.

São dados importantes tratando-se de um carro novo. A Renault foi a única escuderia a trabalhar com dois modelos 2007. Neste instante, tudo o que o diretor-técnico, Bob Bell, e o responsável pela seção de motores, Rob White, visam é verificar se há algo no projeto que necessita ser revisto. Já compreenderam que não é o caso.

Atualmente na Fórmula 1 há boas formas de se evitar de cometer um erro crasso de projeto. Há programas capazes de simular, virtualmente, muitos dos sistemas do carro. Este é um dos principais fatores, associado à extensa monitoração existente, do reduzido índice de abandonos das corridas por conta de panes mecânica, elétrica ou hidráulica, apesar da impressionante elevação de performance.

Quinta-feira Kovalainen perdeu parte da manhã parado enquanto os mecânicos reparavam um problema elétrico. Hoje o finlandês escolhido por Flavio Briatore, diretor-geral da Renault, para substituir Fernando Alonso não enfrentou nenhuma dificuldade técnica. Na melhor das suas 112 voltas registrou 1min19s185. O site do circuito de Jerez me informa que a melhor volta com um carro de Fórmula 1 lá ainda é a de Michael Schumacher, que durante teste particular da Ferrari com o espetacular modelo F2004 fez 1min15s650.

Adicione nessa balança, por favor, que Kovalainen dificilmente estava com o carro leve, assim como os pneus usados hoje proporcionam bem menos aderência dos de 2004, quando a concorrência entre Bridgestone e Michelin levou a competição a experimentar uma escalada de aumento da velocidade.

Uma referência mais real para o significado do tempo de Kovalainen é a marca obtida por Takuma Sato, hoje, com o carro da Honda do ano passado, agora revestido de modelo da Super-Aguri. O monoposto de Rubens Barrichello e Jenson Button, RA 106, que deverá se chamar SA 07 na Super Aguri, vem de uma temporada de desenvolvimento. E se todos se lembram, Button foi o pilto que mais pontos somou nas seis últimas etapas do Mundial. Estamos falando, portanto, de um eficiente carro de Fórmula 1.

O confronto de hoje, ainda que nem sempre sob as mesmas regras, denota outro bom começo para a Renault. Isso porque Sato conseguiu 1min20s688 na mais veloz das suas 115 voltas. Repare que o elevado número de voltas sem experimentar panes mostra o quanto o carro da Honda estava desenvolvido. Hoje foi a vez de Giancarlo Fisichella interromper o treino por causa de problemas com o R27, solucionados em seguida. O italiano marcou 1min20s467.

Os dois títulos de Alonso nas duas últimas temporadas decorreram, principalmente, da vantagem técnica da Renault na primeira metade do campeonato. Em 2005, a McLaren dispunha de um modelo mais veloz que o do time francês depois de um terço da competição. E ano passado foi a vez de a Ferrari mostrar-se mais rápida.

Mas o supercapaz Alonso aproveitou-se bem dessa vantagem inicial, abriu importante diferença na classificação e, no fim, apertado, é verdade, ganhou a disputa com Kimi Raikkonen, em 2005, e Michael Schumacher, ano passado.

Desta vez as coisas tendem a ser mais difíceis para os bicampões do mundo. Kovalainen, por mais que surpreenda positivamente, parece difícil que esteja no mesmo nível do excepcional Alonso. E bem poucos esperam de Fisichella o “despertar do campeão”, até porque nunca se mostrou um vencedor contumaz.

Tudo muito cedo ainda para projeções, mas os indícios são de que a Renault terá outro carro veloz e resistente no começo da temporada, como foi em 2005 e 2006. Dentre o trio que, tudo indica, deverá disputar o título – as outras duas escuderias são Ferrari e McLaren -, a Renault é a única até agora a dar sinais do que poderá fazer. Na próxima semana a Ferrari trabalhará em Vallelunga, com Kimi Raikkonen e Felipe Massa, e a McLaren em Valência, com Fernando Alonso e Lewis Hamilton.

Mais elementos surgirão, nesses testes, para compreendermos um pouco melhor o que podem realizar nas primeiras etapas do campeonato que vai começar dia 18 de março em Melbourne, na Austrália. Mas interessante mesmo será acompanhar o ensaio geral programado para o circuito da Sakhir, em Bahrein, no fim de fevereiro, quando além de Renault, Ferrari e McLaren, quase todos os demais times estarão presentes com seus modelo 2007 e já com algum desenvolvimento. Aí sim será a verdadeira avant-première do Mundial.

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