Revolução à italiana

liviooricchio

12 de fevereiro de 2012 | 23h00

13/II/12

Livio Oricchio, de São Paulo

Amigos, esse é o texto de minha coluna na edição do Jornal da Tarde nesta segunda-feira. 

  O próximo treino coletivo da Fórmula 1 será de 21 a 24, no Circuito da Catalunha, em Barcelona. E depois haverá apenas mais uma série de testes, de 1.º a 4 de março, na mesma pista espanhola. Na sequência os carros já se apresentam para o primeiro treino livre do GP da Austrália, dia 16 de março, etapa de abertura do Mundial.

  Para uma competição que tem como marketing desenvolver a tecnologia que um dia tornará os veículos de série mais seguros e com melhor performance, chega a ser uma profunda contradição essa limitação severa de ensaios antes de o campeonato começar e depois durante o ano. Mas como a decisão de treinar apenas 12 dias partiu das próprias equipes, para economizar dinheiro, então assumam as consequências.

  A primeira a pagar a conta pode ser a Ferrari. Depois dos quatro dias de testes em Jerez de la Frontera, na Espanha, semana passada, ficou claro que o modelo F2012 necessitará de um tempo maior de trabalho para se tornar mais veloz, constante e resistente.

   Isso partindo da premissa de que a assustadora impossibilidade de encontrar um acerto básico para iniciar o seu desenvolvimento, evidenciada em Jerez, seja apenas decorrente das muitas novidades conceituais empregadas pelo projetista Nikolas Tombazis. E não por causa de um projeto que não nasceu bem, as áreas mecânica e aerodinâmica não se integram.

  Como o período de testes é curto, as primeiras etapas do Mundial responderão essa capital questão. E, dependendo da resposta, a organização Ferrari, como um todo, será, em 2013, muito, mas muito diferente da deste ano. Esta temporada representa a última oportunidade para um grupo de figuras do primeiro escalão mostrar o que é capaz.

  O modelo F2012 pode vir a ser muito eficiente. As dificuldades no primeiro treino não permitem a conclusão de que o projeto tem problemas crônicos. Se não for o caso, Fernando Alonso e Felipe Massa podem vir a dispor de um grande monoposto, principalmente a partir da quinta etapa do calendário, o GP da Espanha, dia 13 de maio, início da fase europeia do campeonato.

  Mas se as mudanças que estão sendo incorporadas no projeto do F2012 não o tornarem mais previsível, lógico, não permitirem Alonso, Massa e os técnicos descobrir o mínimo, um acerto básico para trabalhar, não resolverem seus problemas de quebras, escancarando que a Ferrari disputará outro campeonato ruim, cabeças vão rolar.

  Em primeiro lugar, a Ferrari de 2013 será gerenciada por outro profissional: Stefano Domenicali dará vez a alguém com perfil oposto ao seu, menos adepto a ouvir pacientemente as explicações de todos e mais autoritário, como era Jean Todt. Possivelmente o novo líder não será italiano.

  O próximo da lista de dispensas será o grego Nikolas Tombazis e seu grupo de engenheiros mais próximo. Todos seriam substituídos por outros profissionais no máximo até junho, para que os novos responsáveis pelo projeto de 2013 disponham de tempo para trabalhar. Até mesmo o futuro do diretor-técnico Pat Fry, ex-McLaren, também envolvido da concepção do F2012, estará em xeque.

  A vez de Felipe Massa. Impossibilitado de mostrar que poderia ser o mesmo piloto capaz de 2008, por conta de um monoposto desastroso, não teria o contrato renovado. Bem como o seu engenheiro, Rob Smedley.  

  É cedo e, por enquanto, o clima na Ferrari é de confiança em relação ao F2012. As imensas dificuldades estão sendo justificadas pelo arrojo do projeto. Faz sentido. Mas a realidade técnica do carro não deve demorar tanto para emergir. E, com ela, ou a possibilidade de Alonso e Massa disputarem um belo campeonato ou assistirmos a uma revolução à italiana na Scuderia di Maranello, com muita gente sendo dispensada antes da metade da temporada.

 

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