Rosberg: a primeira pedra no sapato de Schumacher

liviooricchio

15 de março de 2010 | 14h33

15/X/10

 Livio Oricchio, de Sakhir

Por essa Michael Schumacher não esperava: ter um adversário duríssimo de ser vencido dentro da própria equipe. Pois é o que o piloto de melhor retrospecto na história está enfrentando, ao menos no GP de Bahrein. “Estou meio enferrujado”, disse Schumacher, rindo. Os números no primeiro assalto da luta, que sempre foram a seu favor, até agora estão do lado de Rosberg.

Preocupam tanto Schumacher que ontem, na classificação, recorreu ao gráfico de telemetria para estudar como o companheiro percorria os 6.299 metros do circuito e entender de onde vinha aquela diferença, não pequena. Tudo começou na sexta-feira, primeiro treino. Ao final de uma hora e meia de sessão, Nico Rosberg, da Mercedes, estabele o oitavo tempo, 1min57s199. Michael Schumacher registra o décimo tempo, 1min57s662, ou 463 milésimos (quase meio segundo) mais lento. Treino da tarde: Rosberg, o mais rápido, 1min55s409. Schumacher, o terceiro, 1min55s903, ou 494 milésimos atrás. Sábado de manhã: Rosberg segundo, 1min54s368, Schumacher, quarto, ou 434 milésimos pior. A diferença de quase meio segundo se manteve.

No treino em que as condições são exatamente as mesmas para os dois, na classificação, ontem, novamente Rosberg se impôs: quinto tempo, 1min55s241, enquanto Schumacher, sétimo, 1min55s524. Aqui a diferença caiu: 283 milésimos. Na corrida a sistemática de Rosberg na frente se manteve: quinto e sexto.

Claramente Rosberg evita falar do confronto com Schumacher. “O que digo é que depois dos nossos resultados nos treinos livres esperava um pouco mais da classificação, mas estamos perto de Red Bull e Ferrari.” Já Schumacher adotou discurso prudente: “Estou contente, essa é a minha volta à Fórmula 1, estou me acostumando aos poucos. Curiosamente, o 7.º lugar no grid é o mesmo da minha estreia na Fórmula 1, no GP da Bélgica de 1991.” Schumacher agradeceu sua equipe “pelos esforços de fazê-lo sentir-se à vontade no carro.

Os comentários dentro da Fórmula 1 são um só: provavelmente Schumacher se imaginou lutando com Felipe Massa, Fernando Alonso, da Ferrari, e os pilotos da Red Bull e da McLaren. Mas já compreendeu que Rosberg é seu maior adversário. A razão é simples: há como confrontar o seu trabalho com o do jovem de 24 anos, alemão também, em razão de disporem do mesmo equipamento da Mercedes. “Já entendi que estou rodeado por sete adversários, todos muito capazes”, comentou quinta-feira Schumacher.

Para Rosberg, superar o parceiro, com os mesmos meios, representará o máximo para sua carreira, é um dado de performance de elevado significado. Sabe que Schumacher, em breve, estará em melhor forma, bem como Ross Brawn, diretor técnico da Mercedes, trabalha para atenuar a tendência de seu carro sair de frente, o que Schumacher não gosta. Portanto, é bom para Rosberg aproveitar esse momento para ficar à frente de Schumacher porque depois será mais difícil.

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