Rubinho aposta na Williams. Faz sentido.

liviooricchio

21 de janeiro de 2010 | 21h16

21/I/10

Toda vez que há uma mudança radical de regulamento na Fórmula 1, como no ano passado e agora na temporada que vai começar dia 14 de março no circuito de Sakhir, em Bahrein, a história registra o surgimento ou o reaparecimento de uma ou mais equipes entre as grandes. Foi o caso da Brawn GP e da Red Bull no último campeonato, campeã e vice.

É possível, também, que ocorra o mesmo experimentado por Ferrari e McLaren em 2009: lutaram apenas pelo terceiro lugar. “Se tivesse de apostar num time para crescer em 2010 seria a Williams”, diz Rubens Barrichello, que formará dupla com o estreante alemão Nico Hulkenberg na organização de Frank Williams.

Em entrevista ao site da revista inglesa Autosport, o diretor-técnico da Williams, o australiano Sam Michael, contou que seu grupo partiu para um projeto agressivo na concepção do modelo FW32. “Do ponto de vista aerodinâmico é tudo novo”, afirmou. Rubinho tem visitado a bem-estruturada sede da Williams, em Grove, Inglaterra.

“Dá para sentir que é uma escuderia que já foi campeã. São bem organizados, é uma equipe grande. Agora, com a redução dos custos, o problema deles nos últimos anos, dá para acreditar muito no seu potencial”, comentou Rubinho.

Dia 1.º ele e Hulkenberg vão estar em Valência no primeiro teste do modelo FW32. “Tenho estado regularmente na fábrica. O motor em termos de potência já atingiu bom nível. Está ainda consumindo um pouco acima do desejado, mas como a Cosworth pode homologá-lo na FIA até dia 1.º de março, estará em desenvolvimento, pois há verba para isso”, explicou Rubinho. “Estou muito confiante numa bela temporada.”

Na realidade, já no ano passado a Williams demonstrou eficiência superior à de 2008. Classificou-se em sexto com 34,5 pontos, sendo que apenas Nico Rosberg marcou pontos. Kazuki Nakajima não somou nenhum. Em 2008, fez 26 pontos e foi oitava colocada entre os construtores.

E nunca é demais lembrar que o motor Toyota era o de menor resposta de potência, por seus técnicos levarem a sério a proibição de desenvolvimento imposto pela FIA, como fizeram os engenheiros da Renault. Com um motor como o Mercedes, não há a menor dúvida de que Nico Rosberg poderia ter feito bem mais que os 34,5 pontos, tendo pontuado em oito etapas seguidas.

Como disse Rubinho, com as restrições de investimento acertadas entre Fota e FIA, como limitação de 40 horas semanais de estudo em túnel de vento, proibição de treinos, 8 motores por temporada, câmbio para 4 fins de semana de corrida, dentre outras medidas, dispor de um orçamento milionário terá menos peso na performance do que tem sido na Fórmula 1.
Há uma tendência de os desempenhos se equivalerem mais. E nesse caso o pedigree da Williams pode, mesmo, fazer diferença, levando a equipe a crescer significativamente na competição.

Já estive duas vezes em Grove, passei um dia inteiro lá, conhecendo cada setor da organização. E como já visitei outros times, a maioria, posso dizer que as instalações da Williams estão dentre as melhores, ainda que não apresente a suntuosidade arquitetônica das dependências da McLaren, em Woking, por exemplo. Por isso, a possibilidade de a Williams avançar me parece mesmo real.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: