Rubinho dá um show, mas é desclassificado

liviooricchio

16 de março de 2008 | 10h33

16/III/08
GP da Austrália
Livio Oricchio, de Melbourne

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Para quem deu a entender nos testes da pré-temporada que não sairia das últimas colocações nas corridas, como foi em 2007, o desempenho de Rubens Barrichello com a Honda, ontem na Austrália, pode ser considerado um show. Pena não ter levado o troféu do bom sétimo lugar para casa. Ao regressar à pista no seu segundo pit stop, na 45ª volta, quando era quarto, Rubens Barrichello não observou a luz vermelha na saída de box e foi desclassificado, como já havia ocorrido com Felipe Massa, ano passado, no Canadá.

“Não vi, não vou ver e ninguém verá”, defendeu-se. “Com a nova central de gerenciamento eletrônico(ECU), temos de mexer nos botões do volante para ajustar três funções. Precisamos nos concentrar, não dá para ver o sinal”, explicou Rubinho. Ele largou em 10º, passou a primeira volta em 7º e manteve-se bom tempo nessa colocação, resistindo ao ataque de Kimi Raikkonen, Ferrari, que largou em 15ª e vinha ultrapassando todo mundo.

“Era como tirar pirulito de uma criança. Só que eu era a criança e me defendi bem”, comparou Rubinho. Apenas na 18ª volta o finlandês ganhou sua posição. Mas o lance mais polêmico do piloto da Honda na prova ocorreu na 45º volta. Antes de não respeitar o sinal vermelho, aproveitou a entrada do safety car pela terceira vez na prova, por conta do assustador acidente de Timo Glock, da Toyota, sem consequências para o piloto, a fim de fazer sua parada.

Mas a entrada de box estava fechada. O regulamento diz que só depois de todos os competidores estarem alinhados atrás do safety car é que o sinal se torna verde na entrada de box. “Eu sabia disso, só que não tinha gasolina para nenhuma volta a mais. Na reunião que tivemos, agora, discutimos a possibilidade de deixar combustível para uma volta extra visando essas sistuações”, explicou.

Entrar no box com o sinal vermelho resulta num stop and go de 10 segundos. Agora, não observar o sinal vermelho na saída, por questão de segurança, implica a desclassificação. “Perder pontos e o pódio dessa maneira não dá para deixar ninguém feliz. O importante é ver o lado positivo. O desempenho de nosso carro evoluiu muito nos últimos 10 dias.”

Não há dúvida do que esperar daqui para a frente: “Crescer. Essa colocação aqui de Melbourne não é realista. Mas dá na Malásia para ficar entre os 12 melhores na largada e pensar em pontos na corrida.” Seu companheiro, Jenson Button, abandonou no início por envolver-se no acidente múltiplo da primeira curva.

O dedo de Ross Brawn, ex-diretor da Ferrari, agora na Honda, já está começando a ser percebido pelos japoneses. Rubinho encerra a conversa falando de sua performance surpreendente: “Dei tudo de mim, com um carro mais eficiente, teria vencido a prova”.

FIM

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