Rubinho e Massa exigem mudanças imediatas na Curva do Café

liviooricchio

08 de abril de 2011 | 14h13

08/IV/11

Livio Oricchio, de Kuala Lumpur

A morte de Gustavo Sondermann, domingo na prova de picape Montana Stock Car, em Interlagos, repercutiu forte no paddock do circuito de Sepang, onde está sendo disputado o GP da Malásia. “Se precisar de piloto para falar com a FIA para mudar a Curva do Café nós vamos”, afirmou Rubens Barrichello, da Williams, presidente da associação dos pilotos de Fórmula 1 (GPDA). “Não foi apenas uma fatalidade, a gente tem de melhorar aquela curva”, disse Felipe Massa, da Ferrari.

 O australiano Mark Webber, ex-diretor da GPDA e piloto que também se acidentou com perigo na Curva do Café, no início da Reta dos Boxes de Interlagos, ouviu a notícia e procurou a imprensa brasileira para ter detalhes. “O problema é que quem vem subindo a reta só pode ver o que está à frente, naquele ponto, quando está bem próximo do local. É uma curva, em aclive, e dentro do cockpit ficamos rente ao asfalto, bem baixo.”

Em 2003, no fim do GP do Brasil, começou a chover e Webber perdeu o controle do seu Jaguar, colidindo na barreira de pneus da Curva do Café. O carro lançou peças para todos os lados e Fernando Alonso, da Renault, acertou uma roda. O choque o levou para o Hospital por uma noite. Mas não se feriu com gravidade. “Passamos por ali em quinta, sexta marcha, a mais de 220 km/h”, lembrou Webber.

 O carro de Sondermann foi atingido em cheio por Pedro Boesel, que teve fratura na clavícula, foi operado e passa bem. O delegado de segurança da FIA, o inglês Charlie Whiting, já tinha visto até as imagens do ocorrido domingo, através da internet. Comentou que antes de a CBA lhe enviar um relatório com todos os detalhes do acidente não pode se manifestar.

 Em outras ocasiões, já havia dito a respeito da Curva do Café que o ideal, se houver mesmo espaço, com a retirada de parte da arquibancada, será ampliar a área de escape. Ou, como também propôs ontem Rubinho, construir o muro rente ao fim do asfalto, como nos circuitos ovais norte-americanos. “A tendência é o carro deslizar raspando no muro e não voltar para o meio da pista”, argumentou na época Whiting. Ontem, limitou-se a dizer, em Sepang: “Vou com prazer ao Brasil ver o que pode ser feito”.

 O GP do Brasil será disputado dia 27 de novembro. Para o experiente dirigente inglês, a Curva do Café não representa uma curva para a Fórmula 1, pois todos os pilotos a percorrem em aceleração plena. O problema é quando há redução de aderência, no caso de chuva, ou quebra de algum componente do carro, projetando-o na direção do muro. A solução do softwall (muro retrátil) atende as exigências da Fórmula 1, confirmou Whiting em São Paulo, no ano passado.

 Rubinho e Massa exigem mudanças. “Não acredito em coincidências, duas mortes na mesma curva em tão curto intervalo de tempo me levam a crer que algo tem de ser feito”, afirmou o piloto da Williams. “A Confederação (CBA) tem de ir atrás, tem de cobrar a Prefeitura, que vai ter de diminuir a arquibancada”, disse Massa.

Enquanto uma solução não é encontrada para melhorar a segurança da Curva do Café, o presidente da CBA, Cleyton Pinteiro, estabeleceu que todas as corridas, com exceção da Fórmula 1, devem começar sob bandeira amarela no local, que proíbe ultrapassagens e impõe a redução de velocidade. “Foi uma decisão inteligente”, opinou Massa.

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