Rubinho e Ross Brawn lavam a roupa suja em casa

liviooricchio

22 de julho de 2009 | 05h04

22/VII/09
GP da Hungria
Livio Oricchio, de Budapeste

Quando acabou o GP da Alemanha, em Nurburgring, dia 12, o relacionamento entre Rubens Barrichello e o sócio e diretor técnico da sua equipe, Ross Brawn, experimentou um desgaste sério. De cabeça quente por liderar a primeira parte da prova e ter chegado apenas em sexto, Rubinho afirmou à imprensa não querer ouvir o “blá, blá, blá do time”, ou as desculpas pela estratégia equivocada, além de desconfiar ter sido preterido, afinal Jenson Button, o companheiro, de novo acabou na sua frente e estava lá atrás.

Brawn também reclamou do piloto aos jornalistas. Disse que Rubinho deveria ter ouvido primeiro o seu próprio time. Não gostou de escutar do pessoal da BBC que Rubinho estava se sentindo traído. “Lavamos a roupa suja, dois dias depois, e vamos para a Budapeste confiantes em vencer a Red Bull”, disse, ontem, Rubinho. Foi o primeiro desentendimento com a Brawn GP.

“O Ross Brawn me ligou terça-feira (dia 14), disse-me que ouviu o que não desejava ouvir e falou o que não pretendia falar. Me deu detalhes, ainda, do novo pacote técnico que vamos ter no GP da Hungria e falou que precisamos nos unir ainda mais para sermos campeões.”

A pergunta é inevitável: não viu ação deliberada de Ross Brawn para ajudar Button classificar-se na sua frente na Alemanha? “Os engenheiros me mostraram, dentre eles os meus próprios, que o Button tinha mais gasolina que eu, portanto eu deveria mesmo ter realizado a última parada antes”, explicou.

“E tem mais, se eu começar a pensar que tem pelo em ovo será ruim para minha intenção de terminar a temporada muito bem. Vou à Hungria para tentar vencer, que é o que a Brawn precisa, tirar pontos da Red Bull”, respondeu Rubinho. Ao parar uma volta antes que Button no último pot stop em Nurburgring, contra todas as previsões, Rubinho viu o companheiro ultrapassá-lo para ser quinto deixando-o em sexto.

O GP da Hungria irá esclarecer uma dúvida crucial da Brawn GP: se a Red Bull é mesmo tudo o que demonstrou nas corridas da Inglaterra e Alemanha, quando o frio os ajudou. “Nossa previsão é de mais de 30 graus em Budapeste. Se essas condições mais as mudanças no carro e as características da pista, lenta, não servirem para superá-los teremos de concentrar todas as nossas energias e recursos neste ano para ficarmos com o título”, afirmou Rubinho. “Será a hora da verdade para a Fórmula 1, na realidade”, comenta o piloto que venceu o GP da Hungria em 2002, pela Ferrari.

A Red Bull assusta, e muito, não só a Brawn GP. O que parecia ser um campeonato definido tornou-se, diante do avanço da equipe de Sebastian Vettel e Mark Webber, uma competição de resultado final aberto. Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, está feliz. A prova de Budapeste será a décima do campeonato de 17 etapas. Dos 36 pontos possíveis na duas últimas provas, a Red Bull conquistou todos. A Brawn, apenas 16, ou menos da metade.

Ontem a previsão do tempo da Brawn GP para Budapeste foi precisa. A temperatura não baixou dos 30 graus durante o dia e é o que se espera para o fim de semana. Sem problemas com o aquecimento dos pneus, falou Rubinho, a Brawn espera voltar a ser o mesmo time invencível do começo do ano. Button lidera a competição com 68 pontos, seguido por Vettel, 47, Webber, 45,5 e Rubinho, 44. Entre as equipes, a Brawn é a primeira, com 112 pontos. A Red Bull já encostou: 92,5. Os primeiros treinos livres da corrida de Budapeste começam sexta-feira.

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