Rubinho, segundo com o difusor quebrado

liviooricchio

29 de março de 2009 | 22h23

29/III/09
GP da Austrália
Livio Oricchio, de Melbourne

Sem demonstrar espírito revanchista, Rubens Barrichello comentou, ontem, depois de surpreendente segundo lugar, sobre o carro da Brawn GP, acusado de usar um difusor, porção final do assoalho, fora do regulamento: “O que aconteceu comigo na largada mostra que o nosso desempenho excelente não tem apenas a ver com o difusor”, disse. “Um carro da McLaren (o de Heikki Kovalainen) me deu uma pancada forte mesmo por trás, na largada, que quebrou o difusor, mas mesmo assim meu ritmo de corrida foi muito bom.”

Aos que acham que a maior velocidade do modelo BGP 001 se deve apenas a esse recurso aerodinâmico, Rubinho recomendou prestar atenção no projeto como um todo. “Se tirarmos o difusor vamos perder performance, mas não a ponto de não continuarmos os mais rápidos.”

O lance crucial de Rubinho na prova do circuito Albert Park aconteceu na largada. “Temos um sistema de segurança que se os giros não estiverem certo ele corta o motor. Eu puxei a alavanca de embreagem para inserir a primeira marcha e logo em seguida o sistema mudou para ponto morto”, explicou, sem admitir culpa no procedimento. “Fui obrigado a refazer tudo e nessa hora autorizaram a largada. Acelerei e o carro ficou patinando.” Ele caiu de segundo para sétimo.

É provável que seu companheiro, Jenson Button, tenha ganhado o GP da Austrália nesse instante. “Eu faria meu primeiro pit stop uma volta depois dele e teria boa chance de ultrapassá-lo”, falou Rubinho. Mas seus planos foram por água abaixo pelo ocorrido na largada. Na freada da curva 1, Kovalainen o empurrou por trás e ele acertou em cheio a lateral do Red Bull de Mark Webber. “Não sei como não quebrou nada além do aerofólio dianteiro, na frente, e o difusor, atrás; achei que minha corrida teria terminado ali, por isso esse segundo vale muito, nosso carro é não só rápido como muito resistente também.”

O dono da equipe, Ross Brawn, não interveio tampouco deu qualquer orientação a Rubinho e Button antes da largada, a fim de evitassem um acidente entre os dois, já que ocupavam a primeira e a segunda colocação no grid. “Isso não funciona, um acordo é inútil, é batida na certa. Que vença o melhor, gosto muito do Button como pessoa, acredito no seu potencial de piloto, mas como ele eu quero vencer”, disse. “Eu já lutei várias vezes com o Button pelo oitavo, nono lugar, quero ver como será agora pelo vitória.” De qualquer maneira, será uma relação diferente da que teve com Michael Schumacher, de 2000 a 2005 na Ferrari: “Mais honesta”, definiu Rubinho.

E foi um acidente entre Robert Kubica, da BMW, e Sebastian Vettel, da Red Bull, na luta pela segunda colocação, na 55ª volta, a três da bandeirada, que deu o segundo lugar para Rubinho. Os dois abandonaram. “Mostra que nunca devemos desistir”, comentou Rubinho. Já Ross Brawn lembrou o esforço de cada integrante da escuderia como elemento crucial para a conquista da dobradinha na estreia da Brawn GP na Fórmula 1. “Depois do que passamos nos últimos quatro meses, esse resultado representa algo sensacional.”