Rubinho: vitória irretocável!

liviooricchio

23 de agosto de 2009 | 19h04

23/VIII/09
GP da Europa
Livio Oricchio, de Valência, Espanha

Nada menos de 84 GPs depois de vencer pela última vez na Fórmula 1, na China, em 2004, pela Ferrari, Rubens Barrichello obteve ontem, em Valência, Espanha, conquista histórica. Aos 37 anos e em sua 279.ª participação em corridas de Fórmula 1, agora pela Brawn GP, deu ao Brasil a vitória de número 100 no Mundial. “O campeonato está aberto, sim. E, claro, nesse momento de negociações (visando 2010), um resultado desses ajuda”, afirmou, muito emocionado, como sempre.

Fazia tanto tempo que Rubinho não ganhava uma prova que sua família promoveu uma festa, ontem, em São Paulo. “O Eduardo e o Fernando (filhos) eram pequenos, ainda, na última ocasião. Hoje eles entenderam o significado de eu vencer. A Silvana (esposa) me contou que eles pulavam em cima do sofa.” Eduardo tem 8 e Fernando, 5 anos. “Gostaria que um dia como hoje tivesse 72 horas para poder comemorar. Apesar de estar vacinado contra as pressões, havia muita. Só meu companheiro (Jenson Button) ganhava, as críticas todas”, comentou Rubinho.

Como Button foi apenas sétimo ontem no GP da Europa, 11.ª etapa do calendário, e a dupla da Red Bull, Sebastian Vettel e Mark Webber, não marcou pontos, Rubinho avançou bem na classificação. Button soma 72 pontos, Rubinho, vice-líder agora, 54, Webber 51,5 e Vettel, 47. “Ainda é uma diferença grande para o Button, 18 pontos, restam seis provas, mas tenho sido mais rápido nas classificações e nas corridas, como ele foi melhor no começo do ano.”

As 57 voltas do GP da Europa, sempre sob calor intenso, foram tensas, explicou. “Andei o tempo todo exigindo quase tudo do carro. Antes do meu segundo pit stop, meu engenheiro só gritava no rádio para eu acelerar, acelerar, mas não dizia o quanto eu precisava”, falou. No primeiro pit stop (20.ª volta), Rubinho ultrapassou Heikki Kovalainen, da McLaren, para ser segundo, e tentava se aproximar de Lewis Hamilton, também da McLaren, para fazer a mesma coisa na segunda parada e assumir a liderança. “Consegui uma série de voltas muito boas”, lembrou Rubinho.

Hamilton fez o segundo pit stop desastroso na 37.ª volta (perdeu 5,5 segundos a mais) e tinha uma vantagem de 3 segundos e 686 milésimos sobre Rubinho na passagem anterior. “Eu pararia três voltas mais tarde, mas o Kazuki Nakajima (Williams) começou a lançar borracha do pneu pela pista, minha equipe achou que o safety car poderia ser acionado e me chamou para o pit stop”, explicou Rubinho.

“Nessa hora compreendi que ultrapassaria o Hamilton (na parada) e ganharia a prova”, afirmou. “Mas nós temos de realizar algumas operações nos botões do volante e foi tudo muito rápido. Eu estava naquela curva veloz, antes da entrada do box, e não identificava com precisão os botões, disse a mim mesmo justo agora…” O piloto fez o procedimento de forma correta e saiu até com certa folga na frente de Hamilton.

No GP da Europa Rubinho realizou um trabalho perfeito: teve calma no início, ao perceber que, mesmo com a Brawn GP mais rápida que a McLaren, não ultrapassaria Kovalainen. Demonstrou agressividade e precisão ao estabelecer ótimos tempos depois de o finlandês parar, permitindo-o ganhar sua posição. Mais tarde, deu um show com o segundo jogo de pneus, ao se aproximar de Hamilton a ponto de ultrapassá-lo para vencer e dedicar a vitória ao amigo Felipe Massa, que o assistia pela TV, em casa.

“O desafio, agora, é o GP da Bélgica (no fim de semana), onde penso que a Red Bull será bem mais veloz. Lá costuma ser frio. Ao adotar algumas soluções mais antigas no carro andamos para a frente, voltamos a ser competitivos”, disse Rubinho. Hamilton acabou em segundo e Kimi Raikkonen, da Ferrari, em bela corrida, completou o pódio em terceiro, depois de largar em sexto.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.