Schumacher nos surpreendeu, aqui em Barcelona

liviooricchio

18 de fevereiro de 2011 | 21h25

19/II/11

Livio Oricchio, de Barcelona

  O seu histórico de declarações fortes, como a ontem, sugere que hoje ou amanhã Michael Schumacher venha a público para dizer “não fui corretamente interpretado”. Mas é um fato: depois do primeiro dia de treinos no Circuito da Catalunha, ontem em Barcelona, o piloto da Mercedes afirmou a um pequeno grupo de jornalistas que o aguardava, dentre eles, eu: “Com esse carro é possível ir às vezes ao pódio e, se tudo der muito certo, vencer uma corrida.” Em outras palavras, o alemão sete vezes campeão do mundo já se vê fora da luta pelo título.

   Sua afirmação se baseou nos três dias de treinos realizados em Valência, no início do mês, nos quatro dias em Jerez de la Frontera, semana passada, e na experiência de ontem, em Barcelona, quando similou uma corrida e compreendeu o estágio de seu time, ao menos nesse momento. “É o máximo que provavelmente podemos pensar, ainda que seja difícil compreender onde realmente estamos em relação a nossos adversários.” Falou mais: “Deveremos melhorar um pouco até o GP de Bahrein”.

  Os tempos não refletem o potencial de cada time. Mas, ao longo já de oito dias de treinos da pré-temporada, a análise volta a volta, ao longo de todos os dias, começa a oferecer aos técnicos e pilotos referências não só de seus carros como da concorrência. Ontem Schumacher completou 90 voltas no traçado de 4.655 metros, com séries de 13 a 15 voltas, interrompidas por pit stops. Na melhor volta fez 1min27s512, oitavo do dia.

  O ensaio de Schumacher deu uma mostra também de como serão as corridas este ano. Muito provavelmente o GP da Espanha terá três pit stops, diferentemente de uma parada apenas, como no ano passado. O diretor da Pirelli, novo fornecedor de pneus, Paul Hembery, explicou ontem, no circuito, que o raio X da competição deverá mesmo ser esse. Fernando Alonso, com a Ferrari F150th, deu no total 101 voltas. No que pareceu ser uma simulação, também, dava séries de 17 e 18 voltas. Na melhor fez 1min25s485, segunda.

A Ferrari tem um monoposto consistente, seus tempos de volta variam relativamente pouco, apresenta boa resistência, sofre um pouco menos os efeitos extremos dos novos pneus, mas parece ter um limite mais baixo que o da Red Bull, ou seja, não dá sinal de ser extremamente veloz. O próprio projeto, pelo que se pôde ver até agora, é bastante conservador. A dupla Nikolas Tomabiz e Aldo Costa arriscou pouco. 

  O mais rápido do dia, Sebastian Vettel, da Red Bull, atual campeão do mundo, ontem andou pouco pela primeira vez este ano, apenas 37 voltas. Não quis dizer qual foi o problema do carro. Deu a impressão de relacionar-se ao Kers. Mas, no fim do dia, Vettel colocou pneus macios e estabeleceu 1min24s374, o melhor. A escuderia sugere ser, hoje, a mais bem preparada. Já Rubens Barrichello, Williams, com problemas de motor e o sistema de recuperação de energia (Kers), percorreu somente 52 voltas, com 1min26s912, sétimo, na mais rápida.

  Kubica. O piloto polonês está de volta ao quarto. Deixou ontem a UTI. Quarta-feira passou pela mais difícil das cirurgias de reconstituição, a do cotovelo direito. Permanecerá na Itália, ainda, no hospital Santa Corona, em Pietra Ligure, por cerca de três semanas. Dia 6, o piloto da Lotus Renault sofreu violento acidente numa prova de rali.

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