Schumacher: "Spa é a minha sala de visitas".

liviooricchio

30 de agosto de 2012 | 17h50

30/VIII/12
Livio Oricchio, de Francorchamps

A expectativa dos líderes do campeonato, candidatos ao título, quanto ao que devem produzir no GP da Bélgica, ficou em plano secundário, ontem, no circuito de Spa-Francorchamps. A partir de hoje, com os primeiros treinos livres da 12.ª etapa do calendário, entra em cena, para valer, a luta entre Fernando Alonso, Ferrari, Mark Webber e Sebastian Vettel, Red Bull, Lewis Hamilton, McLaren, e Kimi Raikkonen, Lotus. E promete ser acirrada.

A estrela do dia, ontem, foi Michael Schumacher, da Mercedes. Todos desejavam saber desse notável piloto, dono dos números mais impressionates da história da Fórmula 1, o significado de atingir em Spa o seu 300.º GP. Na frente de Schumacher, em número de participações na Fórmula 1, está apenas Rubens Barrichello, que entre 1993 e o ano passado esteve em 325 GPs.

“Meus 300 GPs se tornam mais especiais por ser em Spa. Tudo acontece comigo aqui. Primeira corrida, primeira vitória, algumas grandes vitórias, em 2004 a conquista do sétimo título, no ano passado celebrei 20 anos da minha estreia na Fórmula 1 aqui e agora o meu 300.º GP”, disse, entusiasmado, o alemão. A identificação de Schumacher com Spa se estende para bem além desses dados estatísticos. Ao Estado, disse: “É a pista mais próxima de onde cresci, a menos de uma hora de casa”, referia-se à cidade de Kerpen.

Para sacramentar de vez a associação do piloto com o circuito, ontem Schumacher viveu experiência tocante, segundo descreveu: “Fui recebido no autódromo com uma bonita cerimônia, onde recebi o título de Cidadão de Spa, algo muito especial para mim”. E concluiu o discurso: “Sempre chamei Spa de minha sala de visitas, pois agora posso oficialmente dizer que é a minha sala de visitas e é ótima a sensação”.

No dia 25 de agosto de 1991, até então um piloto bem pouco conhecido, estreou na Fórmula 1 com o apoio da Mercedes na equipe Jordan. Já na etapa seguinte, Monza, substituiu Roberto Moreno, na Benetton. Em 1992, obteve com a equipe sua primeira vitória em Spa. E na sequência foram outras cinco, sendo a de 1995 ainda com a Benetton e as demais pela Ferrari. Em 1994, venceu. Porém o desgaste irregular da prancha sob o assoalho do carro o levou à desclassificação.

Os tempos, hoje, são outros. Aos 43 anos, não apresenta a mesma competência extrema dessa época que fez dele, em números, o maior piloto de todos os tempos. Na Mercedes, seus objetivos no fim de semana,
são mais modestos. Depois de 11 etapas até agora este ano, Schumacher soma apenas 29 pontos, enquanto o companheiro, Nico Rosberg, 16 anos mais jovem, 77. O veterano piloto da Mercedes, no entanto, não estabelece uma relação entre a idade e o desempenho inferior a Rosberg.

Ontem, comentou em resposta ao Estado: “Penso que a minha capacidade de conquistas (na Fórmula 1) é maior hoje. Tenho melhor visão das coisas, maior entendimento. Se enfrentamos problemas, necessito de menos tempo para chegar ao ponto-chave e explicar à equipe.” E esse maior ou menor discernimento, depende do ponto de vista de cada um, o levará, com elevada probabilidade, a renovar seu contrato com a Mercedes por mais uma temporada.

Fora da esfera de Schumacher, ontem, três dos cinco candidatos ao título travaram um duelo de palavras. De um lado postou-se Alonso, líder do Mundial, com 164 pontos, e do outro Vettel e Hamilton, terceiro e quarto, com 122 e 117. “A Ferrari, conforme ficou claro nas últimas corridas, não tem o melhor carro. Na Hungria me classifiquei a oito décimos de segundo do pole position”, disse Alonso. Vettel contestou: “Se você olhar as últimas corridas, verá que eles (Ferrari) foram sempre rápidos o suficiente para chegar ao pódio e até mesmo vencer”.

Hamilton respondeu a Alonso também. “Eu não sei por que ele diz que seu carro não é rápido. Tem terminado todas as corridas nos pontos e faz sólido trabalho, portanto definitivamente não diria que ele tem o pior carro.”

A consistência lembrada por Hamilton faz todo sentido. O espanhol é o único piloto que marcou pontos em todas as etapas este ano. E está prestes a quebrar um recorde histórico, estabelecido por Schumacher, entre as temporadas de 2001 e 2003, quando se classificou entre os que recebem pontos em 24 GPs seguidos. “Se aqui em Spa eu marcar pontos igualo Michael. E se repetir em Monza, o ultrapasso, o que seria espetacular”, afimou, ontem, Alonso.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.