Schumacher terá bem pouco tempo para se preparar

liviooricchio

30 de julho de 2009 | 18h53

30/VII/09
Livio Oricchio, de Budapeste

Michael Schumacher gosta mesmo de desafios. E dos grandes. Como as equipes fizeram um acordo de não desenvolver nenhuma atividade entre os dias 3 e 16, as fábricas vão estar fechadas, e sua reestreia na Fórmula 1 será no GP da Europa, dia 23, terá bem pouco tempo para se preparar. Tem contra si ainda a proibição de testes particulares na Fórmula 1, desconhecer o modelo F60 da Ferrari e o circuito de 5.419 metros de Valência, local da prova.

A equipe já o chamou a Maranello para adaptar o cockpit a suas dimensões, 1,74 m, distintas da de Felipe Massa, 1,66 m. Elas são específicas para o F60. Schumacher nunca guiou o modelo atual da Ferrari. Terá de aprender a usar o sistema de recuperação de energia (Kers) que, no caso do time italiano, é essencial a seu desempenho. O regulamento, agora, permite também variar a incidência do aerofólio dianteiro, absoluta novidade para o piloto, pneus lisos, dentre outros recursos específicos do F60.

Os seus concorrentes realizaram cerca de 6 mil quilômetros, em média, na pré-temporada e puderam compreender todos esses novos desafios. Schumacher terá que aprender a teoria e depois, no primeiro treino livre do GP da Europa, dia 21, colocar esse conhecimento em prática ao mesmo tempo em que desvenda os segredos do traçado espanhol.

Nos próximos dias permanecerá horas no simulador da Ferrari, na fábrica da Fiat em Turim. “Uma sala cheia de telas e o cockpit do carro no meio. Ajuda, sim, a conhecer a pista”, costuma dizer Massa sobre o simulador. “Mas não dá para permanecer muitas horas nele não”, adverte.

Dois preparadores físicos já trabalham com Schumacher para deixá-lo, ao 40 anos, em condições de pilotar durante as 57 voltas da prova realizada no circuito de rua, provavelmente sob calor intenso. Dia 2 de fevereiro Schumacher sofreu um acidente numa corrida de moto e, não esconde, ainda, ressentir-se da queda em alta velocidade, haja vista que não mais competiu.

Seu companheiro de Ferrari, o também campeão mundial Kimi Raikkonen, já disputou 10 etapas com o F60 e domina o atual regulamento. Será uma competição injusta com Schumacher. Mas se diante de todos esses fatores contrários o alemão se impor, como quase sempre fez na carreira, a Fórmula 1 terá de encontrar novos conceitos de excelência para julgar seus supertalentos.

Os colegas já se expressaram a respeito do seu retorno à Fórmula 1. Muitos dos atuais pilotos, o atual campeão Lewis Hamilton, da McLaren, e o provável futuro vencedor do campeonato, Sebastian Vettel, Red Bull, nunca correram com ele. “É uma honra e uma grande oportunidade competir contra um lenda como Michael”, disse Hamilton. “É muita coragem”, definiu Jenson Button, líder do Mundial.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.