Schumacher voltará a ser o mesmo?

liviooricchio

26 de abril de 2010 | 05h18

26/IV/10

Olá amigos:

 Depois de uma longa e desgastante viagem, cá estou em Nice novamente. O vulcão na Islândia provocou caos aéreo pior que o do 11 de setembro. Posso afirmar pois experimentei os dois momentos. Permaneci de segunda a quarta-feira no aeroporto de Xangai tentando embarcar para algum ponto da Europa. O problema é que outras milhares de pessoas desejavam o mesmo. Alguns em condições bem piores que as minhas, já que estavam com crianças pequenas.

 Consegui voar na quarta-feira de Xangai para Bangcok, na Tailândia, e num voo charter onde sobraram alguns lugares viajei a Roma. E a partir daí cheguei em Nice. Originalmente deveria voar com Lufthansa de Xangai a Frankfurt e de lá para São Paulo, já que faz bom tempinho que não retorno ao Brasil. Claro que adquirir novas passagens diante da quase inexistente disponibilidade custa caro.

 Tudo bem que a confusão generalizada fez as empresas aéreas trabalharem completamente fora da normalidade. Mas não conseguir sequer falar com a Lufthansa, nos números disponíveis, já que havia muita desinformação a respeito dos voos, me impressionou. Ficamos absolutamente desinformados e isolados. Ser viajante frequente das companhias aéreas significa pouco. Que o acesso fosse difícil, mais que compreensível. Impossível, não.

O meu deslocamento começou segunda-feira de madrugada, com a saída do hotel na China, e terminou quinta-feira à noite quando entrei em casa, na França. A maioria dos profissionais da Fórmula 1 viveu drama semelhante. E pessoas que não puderam investir elevados valores na sua volta ainda se encontram lá.

Como o assunto principal aqui é Fórmula 1, vamos lá. Esse é o texto de minha coluna no Jornal da Tarde nessa segunda-feira.

Michael Schumacher enfrenta dificuldades sérias para ser competitivo como o companheiro de Mercedes, Nico Rosberg. Não há discussão. É o que ficou evidente depois das etapas de Bahrein, Austrália, Malásia e China. A pergunta que está sem resposta, agora, é se Schumacher poderá voltar a ser o superpiloto que realizou conquistas históricas.

Resgatar o seu melhor, aquele piloto que era capaz de estabelecer os tempos de volta impressionantes que Ross Brawn lhe dizia ser necessário para vencer as provas, quando ainda havia o reabastecimento de gasolina, não acredito. E essa é uma impressão generalizada na Fórmula 1. Portanto, o SuperSchumacher parece mesmo coisa do passado.

Isso não quer dizer, contudo, que assistiremos sempre ao que vimos na prova de Xangai, em que todos que se aproximavam do alemão, na chuva, não enfrentavam maior resistência para ultrapassá-lo. Aquilo aconteceu porque Schumacher está, ainda, fora de ritmo, depois de três anos parado, o carro da Mercedes sai demais de frente, o que odeia, os pneus intermediários atuais têm comportamento bem distinto dos que conhecia, a idade, 41 anos, pesa, dentre outros fatores de menor peso.

Já na próxima etapa do campeonato, dias 7, 8 e 9 em Barcelona, a Mercedes terá um carro bem distinto, com maior distância entre-eixos, a fim de deslocar o peso um pouco mais para a frente e tentar reduzir a derrapagem de frente do modelo usado até agora. É de se esperar uma evolução de Schumacher. Mas não que de uma hora para outra ele passe a superar Rosberg e saia vencendo corridas. Provavelmente não. De qualquer forma, a tendência é Schumacher ter desempenhos melhores.

 Schumacher vai disputar a próxima temporada, não há dúvida. Voltou a correr porque ama a competição, tem contrato de três anos, e acredita que em 2011, com a nova mudança importante do regulamento, o fim do duplo difusor, e o novo fornecedor de pneus, possa voltar a ser eficiente.

 “O melhor para a Fórmula 1 seria termos dois fornecedores de pneus”, disse na China. A razão é simples: a Bridgestone produzia pneus específicos para a Ferrari, a fim de tentar vencer as equipes da Michelin, em especial a Renault. E eles eram sob medida para as características do alemão, assim como os carros da Ferrari.

Ross Brawn sabe, no entanto, que se fizer isso na Mercedes em 2011 vai atingir em cheio Rosberg, que como a grande maioria não consegue pilotar um modelo de sai de traseira. A escolha de Brawn é difícil: conceber um monoposto que favoreça Schumacher em detrimento de Rosberg ou garantir-se com as convincentes performances de Roberg, mantendo o carro basicamente como está, diante das incertezas de Schumacher?

Se a Fórmula 1 tiver dois fornecedores de pneus, pouco provável, Schumacher terá os pneus que atendam exatamente os seus desejos, o que o ajudará muito a ser competitivo novamente. Mas mesmo com todos esses fatores a seu favor, poucos acreditam na Fórmula 1 que poderá dominar as corridas como fazia. Vencer? Talvez sim, mas esporadicamente.

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