Se continuar assim Mercedes terá de rever o contrato de Schumacher

liviooricchio

22 de abril de 2010 | 16h06

22/IV/10

Tudo bem que até agora foram disputadas apenas quatro das 19 etapas do calendário e as coisas podem mudar significativamente até o GP de Abu Dabi, dia 14 de novembro, último do calendário. Mas quem é capaz de apostar que Michael Schumacher vai, por exemplo, a partir do GP da Espanha, dia 9, pilotar muito mais que no Circuito Internacional de Xangai, domingo, quando um a um seus adversários o ultrapassavam, sem maiores dificuldades? Ainda que seja cedo e duro de ser admitido, a verdade é que a sua volta à Fórmula caminha para um grande fracasso.

  A referência para o que o alemão sete vezes campeão do mundo, hoje com 41 anos, realizou nas quatro etapas disputadas é o seu companheiro de Mercedes, o também alemão Nico Rosberg, de 24 anos. Em todos os treinos classificatórios para o grid, bem como nas corridas de Bahrein, Austrália, Malásia e China, Rosberg foi sempre mais rápido. A classificação de ambos no campeonato talvez expresse bem as enormes dificuldades de Schumacher no seu retorno à competição em que registrou os melhores números de todos os tempos.

  O filho de Keke Rosberg, campeão do mundo de 1982, com a Williams, é o vice líder do Mundial, com 50 pontos, 10 apenas atrás do primeiro colocado, o atual campeão, Jenson Button, da McLaren, com 60. Schumacher aparece somente em décimo, com 10 pontos. O pior é que torcedores e profissionais da Fórmula 1, dentro do seu próprio time, estão começando a ver que o Schumacher versão 2010 talvez seja esse mesmo. Os três anos ausentes da Fórmula 1, o peso da idade, carros e pneus distintos, a proibição de treinos e a geração de jovens talentos existente, ao que parece, o deixaram para trás.

  “Está tudo dentro do previsto”, garante Schumacher. “Não imaginava mesmo obter resultados muito melhores dos que venho conseguindo”, afirmou em Xangai, sem convencer muito os que o ouviam. A Fórmula 1 pode este ano presenciar uma cena constrangedora: o piloto que já venceu 91 GPs celebrar como um estreante seu primeiro pódio, agora que está de volta ao Mundial.

  “Aqui na China demos um importante passo adiante no nosso desempenho, mas esperamos um salto grande mesmo em Barcelona, dia 9”, disse Rosberg, depois do excelente terceiro lugar. Ross Brawn, diretor técnico da Mercedes, prepara um modelo com maior distância entre-eixos, a fim de deslocar mais peso para a frente e atenuar a tendência de o carro sair de frente, característica que Schumacher abomina e explica, em parte, suas dificuldades.

  Mas se mesmo como os avanços da equipe e as reações menos indesejáveis do carro Schumacher não for outro piloto, muito distinto da imagem de decadência exposta domingo, com certeza Norbert Haug, diretor da Mercedes, passará a questionar seriamente a validade do investimento para tê-lo de volta. O contrato é de três anos e teria de ser revisto. O que seria uma pena para Schumacher, depois do brilhantismo do seu trabalho na Fórmula 1, de 1991 a 2006.

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