Se Ferrari perder na justiça francesa acordo será bem difícil

liviooricchio

19 de maio de 2009 | 15h12

19/V/09
GP de Mônaco
Livio Oricchio, de Menton, França

O Tribunal de Grande Instância francês vai emitir amanhã, às 14 horas de Paris (9 horas de Brasília) o veredicto: procede a ação da Ferrari contra o presidente da FIA, Max Mosley, de ilegalidade na definição do regulamento de 2010, ou a iniciativa de Mosley de deliberar as novas regras do jogo, por contra própria, não feriu o código desportivo da FIA.

Se a justiça francesa acatar o argumento dos advogados da Ferrari, então o pacote anunciado por Mosley, dia 29, deixa de ter efeito. O presidente da FIA impôs o limite de £ 40 milhões de orçamento por equipe, em 2010, dentre outras medidas que não atendem o interesse de quase ninguém na Fórmula 1.

A Ferrari alega que Mosley desrespeitou o procedimento padrão de mudança de regulamento, que, em essência, deve necessariamente ouvir os representantes dos times, o que não foi feito. Mosley alegou, primeiro, que o caso compete à justiça desportiva e não comum. Os advogados da Ferrari contra-argumentaram que por conta das grandes implicações comerciais de tudo o que cerca a Fórmula 1 a justiça comum é o melhor forum para o debate.

Na hipótese de a Ferrari vencer, o que passa a valer, hoje, para a próxima temporada, é o atual regulamento. Mas, nesse caso, a Fota, a associação das escuderias, já tem uma proposta quase pronta do que será feito para reduzir os custos em 2010. “Este ano vamos gastar 30% menos de 2008 e no próximo chegaremos a 50%”, explicou o presidente da Ferrari e da Fota, Luca di Montezemolo. O orçamento de times como Ferrari, Toyota, McLaren, é estimado em US$ 300 milhões este ano.

O que preocupa a Fórmula 1 é se hoje a justiça francesa confirmar a validade do homologado pelo Conselho Mundial da FIA, em Paris, dia 29, o chamado pacotão de Mosley. A Ferrari já anunciou que não aceita correr com um limite de orçamento como arbitrou Mosley. Toyota, Renault e Red Bull também não. E o prazo para inscrição no Mundial de 2010 termina dia 29.

Ontem Mosley comentou: “Elas poderão se inscrever mais tarde. Mas há o risco de não mais existir vaga”. O máximo de times definido pela FIA é de 13 e há várias novas com tudo pronto para a inscrição, tão logo sejam abertas, sexta-feira.

A Fórmula 1 estaria trocando organizações como as quatro que ameaçam cair fora por outras desconhecidas, sem tradição alguma no automobilismo. Mas antes de chegar a esse ponto Bernie Ecclestone, detentor dos direitos comerciais, e homem respeitado na Fórmula 1, deve intervir e conter o ímpeto de Mosley de não rever seus ideais.

Independente da política na Fórmula 1, Felipe Massa concedeu entrevista ao diário esportivo Gazzetta dello Sport, do grupo Fiat, como a Ferrari. E pela primeira vez, este ano, demonstrou entusiasmo com sua participação numa prova. AQuinta-feira começam os treinos livres do GP de Mônaco, sexta etapa do calendário. “Realmente acredito que pode ser o nosso momento da virada”, afirmou Massa. A Ferrari somou até agora apenas seis pontos.

“Começamos o campeonato como não esperávamos, mas avançamos muito, em especial na última corrida (GP da Espanha), quando demos um grande salto adiante. Por essas razões acredito no nosso primeiro pódio na temporada”, disse Massa. O modelo F60, bastante revisto na prova de Barcelona, dia 10, ganhou ainda mais novidades aerodinâmicas. Há grande expectativa com a estréia do novo modelo da Red Bull, agora também com o duplo difusor, como todos.

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