Se novo carro não der certo haverá profundas mudanças na Ferrari

liviooricchio

19 de abril de 2009 | 13h26

19/IV/09
GP da China
Livio Oricchio, de Xangai

Um dado por si só expressa com precisão o início desastroso de temporada da Ferrari. Desde o campeonato de 1981 a equipe não marcava pontos nas três primeiras etapas do calendário. Felipe Massa e Kimi Raikkonen passaram em branco nas provas de Melbourne, Sepang e ontem em Xangai. Sendo que ano passado a Ferrari foi a campeã entre os construtores, com 172 pontos.

Stefano Domenicali, diretor geral do time italiano, bastante pressionado com a falta de desempenho e resultado, lamentou o ocorrido com Massa, ontem, mas não demonstrou muito otimismo com relação à corrida de domingo, em Bahrein. “O carro será o mesmo daqui. Estamos mais lentos que muitos de nossos adversários. Lá vamos tentar usar o Kers (sistema de recuperação de energia) novamente”, disse. “Mas é preciso compreender que só voltaremos a lutar em condições bem melhores que agora quando o novo carro estrear, provavelmente em Mônaco (sexta etapa, dia 24 de maio).” Admitiu que se não houver melhora significativa, partirá para o projeto de 2010, quando a proibição de reabastecer exigirá monopostos bem distintos dos atuais.

Massa estava dando um show de pilotagem até que uma pane elétrica no acelerador, ainda na 20.ª volta de um total de 56, o fez parar, quando o safety car estava na pista por causa de um acidente entre Robert Kubica, da BMW, e Jarno Trulli, da Toyota. “Algumas voltas antes já havia percebido que o acelerador não entrava 100%, mas sozinho voltou ao normal. Aí depois eu acelerava e o motor não subia mais de giro.”

Por ter errado na classificação, Massa largou em 13.º. Optou por quase encher o tanque do carro, tanto que iniciou a prova com 690 quilos para fazer um único pit stop. “Meu ritmo era muito bom, surpreendente, o mesmo dos que estavam à frente e minha estratégia era a mesma deles”, explicou. Sebastian Vettel e Mark Webber, da Red Bull, líderes, fariam ainda uma parada, como o piloto da Ferrari.

“Felipe realizou, hoje, um trabalho impressionante. Com mais peso registrava os mesmos tempos de carros bem mas leves. Pena não ter podido seguir adiante. Chegaria no pódio”, comentou Stefano Domenicali.
“Eu me coloco 100% junto da equipe. Minha função é estimular todos a procurar nossos caminhos para sair dessa situação difícil. E posso dizer que tenho experiência com isso”, afirmou Massa. “A Ferrari é uma grande equipe, com profissionais de elevada competência, e com certeza saberá dar a resposta ao que estamos passando agora.”

Ao contrário de Massa, o finlandês Kimi Raikkonen, seu companheiro, disputou corrida apagada, perdeu duas vezes a posição para Lewis Hamilton, da McLaren, e não foi além do décimo lugar. “Depois do meu primeiro pit stop (na 27.ª volta) passei a ter dificuldade com a temperatura dos pneus. Meu carro escorregava bem mais que antes”, explicou. Com toda certeza já começa a rondar a cabeça de Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, se vale a pena manter um piloto tão desestimulado como Raikkonen, ganhando o que ganha, US$ 25 milhões por ano. As possibilidades de não ter seu contrato renovado, há essa opção, já começaram a crescer.

Embora a versão com aerodinâmica baseada no difusor duplo da Brawn, Toyota e Williams deva estrear no GP de Mônaco, já uma etapa antes, em Barcelona, dia 10, parte desses componentes estará no modelo F60. Todos as indicações são de que a Ferrati vai ter importante melhora de performance. Mas caso fracasse, uma profunda reestruturação na equipe será iniciada, a começar por Domenicali, acusado de não exercer a autoridade necessária numa equipe de Fórmula 1, o que explicaria tantos erros de toda natureza, técnica, estratégica, equívocos de avaliação. A Ferrari só não está atrás da Force India entre os construtores.

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