Situação da McLaren complica-se dia a dia

liviooricchio

19 de julho de 2007 | 15h34

19/VII/07
GP da Europa
Livio Oricchio, de Nurburg, Alemanha

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Enquanto os quatro pilotos que disputam o título mundial, Lewis Hamilton e Fernando Alonso, da McLaren, e Kimi Raikkonen e Felipe Massa, Ferrari, estudavam com seus engenheiros, ontem, a melhor forma de começar o GP da Europa, hoje em Nurburgring, Alemanha, nos bastidores da Fórmula 1 advogados das duas equipes seguem travando uma guerra de gigantes.

Nunca as acusações contra a McLaren no caso de espionagem foram tão graves. Ontem, por exemplo, caiu como uma bomba no autódromo alemão a reportagem da confiável edição da revista inglesa Autosport. Segundo a publicação, Nigel Stepney, ex-mecânico-chefe da Ferrari, repassou ao projetista-chefe da McLaren, Mike Coughlan, todos os detalhes do funcionamento do sistema de assoalho móvel do modelo F2007 de Raikkonen e Massa.

O que se sabia é que Stepney havia entregado a Coughlan 700 aquivos de computador com os mais distintos dados sobre a Ferrari. A história do assoalho é nova. Foi a partir de Coughlan conhecer o sistema de assoalho móvel do F2007 que a McLaren protestou e a FIA reviu o regulamento.

É uma demonstração clara de como as informações oriundas da espionagem de Stepney auxiliaram a McLaren. Poucos ainda acreditam que diante de possuir em mãos tantos dados sobre a Ferrari, como os repassados por Stepney, o projetista Coughlan não tenha feito nada em favor de sua equipe, em especial na definição da estratégia de corrida.

“Se ficar provado que a McLaren tirou proveito de dados retirados ilegalmente de outra escuderia a FIA cumprirá as regras e irá puni-la”, afirmou em Silverstone, há duas semanas, o presidente da entidade, Max Mosley. A cada dia cresce a expectativa de que não só o time inglês bem como seus pilotos serão punidos pelo Conselho Mundial da FIA, dia 26 em Paris. E a punição implicará perda de pontos no campeonato.

Fontes da McLaren desmentiram, e hoje deverão fazê-lo de forma oficial, que seu diretor de operações, Martin Whitmarsh, e o diretor de engenharia, Paddy Lowe, tenham sido afastados, como Coughlan, por também conhecer toda a trama iniciada por Stepney e Coughlan. O diário italiano Gazzetta dello Sport, de ontem, citando advogados da Ferrari, publicou que Ron Dennis, sócio e diretor da McLaren, diante da iminência da punição, teria afastado seus dois importantes funcionários.

Se Alonso estaria procurando um caminho legal para no fim do ano deixar de ser o companheiro de Lewis Hamilton na McLaren, por sentir-se preterido na equipe, todo o episódio envolvendo a espionagem de Stepney para seu time atual pode ser a saída perfeita.

O diário espanhol AS publicou ontem que há uma cláusula no seu contrato que lhe permite não cumprir os três anos de compromisso com a McLaren se sua imagem for atingida por alguma ação do time. Os desdobramentos do affair Stepney-Coughlan poderão se estender até para o mercado de pilotos.

Está no ar em Nurburgring a nítida sensação de que a classificação do Mundial poderá ter uma reviravolta dia 26 em Paris. Deve ser adicionada nessa balança a antiga rivalidade entre Mosley e Dennis. Os dois decididamente não se toleram.

O julgamento da McLaren pode representar uma oportunidade para Mosley se impor sobre o adversário político. E argumentação técnica para punir a organização de Dennis tanto no campeonato de construtores como de pilotos parece, agora, não faltar.

Hoje Hamilton lidera entre os pilotos, com 70 pontos, seguido por Alonso, 58, Raikkonen, 52, e Massa, 51. Entre os construtores a McLaren está em primeiro com 128 pontos diante de 103 da Ferrari. Há a expectativa de que já na etapa da Hungria, 5 de agosto, a classificação talvez já seja outra. Massa comentou o julgamento com isenção: “Não posso contar com isso.”

Agora é oficial: Rubens Barrichello permanece mais uma temporada na Honda, como o Estadão publicou terça-feira. “Nosso acordo estava bem costurado, mas assinar mesmo assinei apenas ontem (quarta-feira) de manhã”, falou Rubinho. Jenson Button será seu companheiro. “Eu já havia planejado, quando deixei a Ferrari, um acordo de longo prazo com a Honda. A esta altura esperava ter sido campeão, mas meus sonhos foram por água abaixo”, comentou Rubinho.

Disse estar animado com as mudanças no time japonês: “Havia muita gente opinando mas nenhuma decisão. É por isso que o Gil de Ferran saiu”, explicou o piloto. “Temos vários técnicos novos chegando à equipe, da BMW, McLaren e Williams. Dá para imaginar um futuro melhor para a Honda.”

FIM

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