Sobre rivais impressionarem-se com a forma de Massa

liviooricchio

29 de maio de 2008 | 15h02

Amigos:

Vocês não tem idéia como o pessoal da redação tira sarro de mim quando retomo minhas atividades no jornal aqui em São Paulo. Depois de um mês ausente, ouço de tudo: “Oh, você é novo no Estadão?”, “Você lembra de alguém aqui, ainda, ou apenas de pessoas próximas ao príncipe Albert?”, “Nossa moeda ainda é o real, reconhece as notas?”. É o gostoso preço que pago. Mas nem todos têm a exata dimensão dos nossos desafios profissionais ao cobrir a Fórmula 1.

Acesso o site da revista Autosport, editado por Jonathan Noble, com quem converso regularmente, e leio já na manchete do dia: “Rivais impressionados com a forma de Massa”. Domingo à noite, depois da corrida de Mônaco, redigi lá na sala de imprensa minha coluna para a edição de segunda-feira do Jornal da Tarde. Penso ser oportuno postar o texto hoje. Mantive, como sempre, a originalidade, por isso os termos “ontem”, por exemplo, soam desconexos.

A coluna:

Felipe Massa largou na pole position e chegou em terceiro no GP de Mônaco. Para muita gente foi outra derrota do piloto da Ferrari, estigmatizado por seus erros. Vão colocar na balança, e nesse caso com razão, até a escapada na curva Saint Devote, na 15ª volta, e a perda da liderança, àquela altura, para Robert Kubica, da BMW.

Mas há um outro lado dessa história que, visto dessa forma, representa um ponto a favor de Massa. Kimi Raikkonen, seu parceiro na Ferrari, cometeu três equívocos ontem, sendo dois crassos. Destruiu o aerofólio dianteiro na Saint Devote, na 26ª volta, e exigiu tudo dos freios, ainda meio frios por causa do safety car, na 67ª volta, a ponto de perder o controle da Ferrari e bater em Adrian Sutil. Para não mencionar a perda do segundo lugar na largada para Lewis Hamilton, largando na melhor posição para começar a corrida, como ficou claro nas largadas de todas as categorias que tiveram provas em Mônaco no fim de semana.

Fernando Alonso, da mesma forma que Kimi, esteve irreconhecível. Estourou um pneu ao bater na curva Massenet na sétima volta, tentou ultrapassagem impossível em Nick Heidfeld, na curva Lowes, na 12ª volta, e com pneus para asfalto seco saiu da pista na 45ª volta. Os dois campeões do mundo não marcaram pontos.

O histórico de Massa sugeria que nas condições difíceis das 76 voltas da prova no principado ele seria o candidato natural, dentre os potencialmente vencedores, a bater e abandonar a corrida. Não é isso que sua trajetória propõe?

Mas a não ser por aquela saída na área de escape da Saint Devote, exatamente como Michael Schumacher em 1997, quando também liderava, esteve irrepreensível, mesmo com um carro em condições equivocadas, pesado demais, por causa de a Ferrari esperar nova chuva e encher seu tanque até o limite.

Depois das desastrosas atuações na Austrália e na Malásia este ano, em que abandonou as provas principalmente por sua culpa, Massa parece ter entrado em outro estágio profissional, ainda que continue dizendo que faz tudo como antes.

O piloto da Ferrari conquistou, ontem, seu quarto pódio seguido: vitória em Bahrein, segundo na Espanha, novo primeiro lugar na Turquia e terceiro ontem. Pode até em Montreal, dia 8, cometer outro erro e de novo não marcar pontos. Mas estamos acompanhando uma sensível evolução de Massa no quesito que mais comprometia seu avanço à classe dos pilotos que disputam títulos: regularidade. Dentro da própria Fórmula 1 já começa a se esboçar um novo conceito a seu respeito.

Mantendo-se nessa constância, pode mesmo disputar o título no final.

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