Sutil, um pianista na Fórmula 1

liviooricchio

17 de março de 2007 | 07h37

Talvez seja o som afinado do motor dos carros de Fórmula 1, que tal qual um elegante piano de cauda emite notas nas mais distintas frequências, sempre harmônicas. Pode ser também que se trate apenas do resultado de sua paixão pela velocidade. Adrian Sutil, um emérito pianista, filho de músicos profissionais, concertistas, substituiu seus ídolos aos 14 anos. Em vez de Nelson Freire, passou a adotar Michael Schumacher.

E hoje faz sua estréia, não no teatro Scala de Milão, para interpretar, como solista, o concerto número 1 de Tchaikovsky, mas no circuito Albert Park, em Melbourne, para uma apresentação solo com o carro da Spyker no GP da Austrália. “A Fórmula 1 é, para mim, mais atraente que qualquer instrumento”, disse, na Austrália, feliz por realizar seu sonho. O alemão Adrian Sutil, 24 anos, é mais um jovem influenciado pelo sucesso de outro alemão na competição, Michael Schumacher.

“Ele deixou um vazio na Fórmula 1. Todo piloto gostaria de confrontar-se com Michael, uma referência para se saber até onde podemos chegar”, diz. “Mas logo outra superestrela irá surgir, um novo Schumacher.” É possível que sua ausência até torne as coisas menos difíceis. “Vim aqui para vencer todos.”

Sutil comenta como sua vida mudou com o sucesso nas pistas. “Eu não me via, mais, estudando horas e horas de piano ou música todo dia, como meus pais. A velocidade não era mais um hobby, tinha de ser a minha profissão.” O jovem talento bávaro de Gräfeling é filho de uma alemã, Monika, com um uruguaio, Jorge. E fala bem o espanhol. “A partir do momento que decidi trocar a música pelas pistas é incrível como tudo está se processando rápido na minha vida.”

Foi terceiro no Campeonato Alemão de Kart, em 2000, campeão suíço de Fórmula Ford, sexto no alemão de Fórmula BMW, vice-campeão europeu de Fórmula 3 e campeão japonês de F-3. “Agora tinha convites da GP2, equipes ART e Arden, e também da Cart, nos Estados Unidos. Preferi, lógico, a Fórmula 1.”

A competência demonstrada até agora mostrou-se decisiva para a direção da Spyker optar por seu trabalho em detrimento do de Tiago Monteiro, português, também com a bolsa de patrocínio pronta para correr. “É a minha grande chance, fui parceiro de Lewis Hamilton, na Fórmula 3 européia, em 2005, e era tão veloz quanto ele, a diferença é que cometi alguns erros a mais. Mas agora sou bem mais experiente.”

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