Talento e interesses comerciais levam à escolha de Kvyat

liviooricchio

22 de outubro de 2013 | 06h40

22/X/13
Nice

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O doutor Helmut Marko, diretor do programa júnior da Red Bull, é mesmo um homem surpreendente. Contra as previsões, escolheu o russo Daniil Kvyat, de 19 anos, para a vaga de Daniel Ricciardo na Toro Rosso. O favorito era o português Antonio Felix da Costa, 21 anos, também do programa júnior da Red Bull, como Kvyat.

O russo é o segundo colocado na GP3 e pode ainda ser campeão nas duas corridas da última etapa do campeonato, de 1 a 3 de novembro, no circuito Yas Marina, em Abu Dabi, quando o título da GP2 também será definido entre o suíço Fabio Leimer, o inglês Sam Bird e Felipe Nasr, de Brasília.

Depois de 14 povas, 7 etapas, na GP3, Kvyat, da equipe Arden, soma 131 pontos diante de 138 do líder, o argentino Facu Regalia, da ART. Kvyat conquistou duas vitórias, em Spa-Francorchamps e Monza. A GP3 faz parte do programa de eventos da Fórmula 1 o que permitiu a Marko acompanhar de perto o trabalho do russo.

E deve tê-lo impressionado o bom teste que Kvyat realizou com o carro de Fórmula 1 da Toro Rosso em Silverstone, em julho.

Esse não foi o caso de Antonio Felix da Costa, na Fórmula Renault 3.5. Marko não o viu. O português terminou o ano em terceiro. Mas sua equipe, Arden, claramente não tinha a mesma eficiência da DAMS, do campeão Kevin Magnussen, sem que isso desmereça a conquista do talentoso dinamarquês, provável piloto da Marussia em 2014.

Nascido em Ufa, capital do Barcortostão, cidade localizada ao pé dos Montes Urais, a cerca de 1.400 quilômetros a leste de Moscou, Kvyat é um piloto de retrospecto muito bom para sua idade. Além de poder ser campeão na GP3 este ano, na temporada de estreia, foi vice-campeão europeu da competitiva Fórmula Renault 2.0 no ano passado e terceiro em 2011.

“Danii é muito talentoso, como podemos ver pelos resultados obtidos nas categorias júnior”, disse Franz Tost, chefe da Toro Rosso. “Ele impressionou nossa equipe no teste de Silverstone, deu também inportantes informações técnicas.” Disse, ainda, Tost: “Danii sugere possuir todas as qualidades básicas para evoluir e vamos usar nossa esperiência com jovens pilotos para lhe ajudar a se formar.”

O piloto russo comentou: “Essa é uma notícia fantástica, um sonho que se torna realidade. Desde o kart sempre desejei me tornar piloto de Fórmula 1. Confesso não esperar fosse tão rápido. Quero agradecer a Red Bull e a Toro Rosso pela oportunidade.”

A escolha de Kvyat obedece critérios técnicos, inequivocamente, mas é provável que a perspectiva de maior penetração da Red Bull no enorme mercado russo pode ter ajudado a escolha também. Outro fator que provavelmente interveio na escolha da Red Bull deve ter sido uma conversa de Ecclestone com Marko ou mesmo o proprietário da empresa, o austríaco Dietrich Mateschitz, sugerindo, dentro do possível, a escolha de um piloto russo.

A Rússia vai estrear no calendário na próxima temporada. Um representante do país, quem sabe dois, se Sergey Siroktin for mesmo titular da Sauber, superpromoveriam o evento. Mais: abriria as portas para empresas russas investirem na Fórmula 1, como alguns de seus donos milionários fazem no futebol, adquirindo equipes.

O fato de residir na Itália representa um ponto a favor, acredita Kvyat. “Falo italiano e tenho certeza ajudará a me integrar com a equipe mais rapidamente.” A sede da Toro Rosso é em Faenza, próxima a Bolonha, na Itália.

O anúncio de Kvyat torna incerto o futuro de Felix da Costa, piloto da mesma forma talentoso e mais experiente. Não se sabe se Marko o manterá no programa júnior da Red Bull, transferindo-o, por exemplo, para a GP2, passo natural para o português depois de competir na Fórmula Renault 3.5 este ano.

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