Tem alguma coisa em Melbourne que mexe com Hamilton

liviooricchio

26 de março de 2010 | 22h46

27/III/10

Livio Oricchio, de Melbourne

  Há alguma coisa no ar de Melbourne que desperta reações em Lewis Hamilton no mínimo estranhas. Em 2009, mentiu para os comissários da prova e acabou suspenso, mas com sursis. Ontem, provocou derrapagens com sua Mercedes, numa rua da cidade, e foi surpreendido pela polícia. Vai responder outra acusação: conduta perigosa. Usou no seu comunicado quase as mesmas palavras do ano passado. “Peço desculpas pelo que fiz, me sinto envergonhado.”

 

  O mesmo Lewis Hamilton havia conquistado, horas antes de se comportar como um inconsequente, o melhor tempo nos treinos livres de ontem, com sua McLaren, 1min25s801, seguido do companheiro de equipe, Jenson Button, 1min26s076. Button, contudo, reconheceu: “Estávamos, sim, mais leves, mas precisamos preparar o carro para a classificação, o que não fizemos em Bahrein e comprometeu nossa corrida, por largar muito atrás.”

 

  Todos os pilotos vão para a corrida, amanhã, sem ter as mesmas referências do comportamento do carro com os dois tipos de pneus disponibilizados pela Bridgestone, os macios e os duros. Em Bahrein, foram os supermacios e os médios. “A chuva, na sessão livre da tarde, ontem, prejudicou o nosso programa de testes”, explicou Felipe Massa, da Ferrari. Não testaram os pneus macios. E justificou o seu tempo, apenas o 17.º, e do parceiro, Fernando Alonso, 15.º: “Entramos na pista na hora errada.”

 

  “O bloco dos que vão lutar pelo nono lugar, amanhã, na corrida, vai estar maior do que em Bahrein, segundo Rubens Barrichello, da Williams. “Estão nele nós, Renault, que pode até ir melhor na corrida, Force India e Toro Rosso.” São, portanto, oito pilotos por duas colocações que ainda somam pontos, a nona e a décima. “Em condições normais, sem chuva, os oito primeiros lugares ficam com os pilotos de Red Bull, Ferrari, McLaren e Mercedes”, analisa o mais experiente piloto da F-1, que completará sua participação em 300 GPs na Bélgica, dia 29 de agosto.

 

  “Em Bahrein, as equipes trabalharam com uma margem de segurança maior quanto ao volume de gasolina no tanque, mas aqui a margem será crítica”, diz o diretor esportivo da Renault, Steve Nielsen. Todos estão atrás do melhor desempenho possível. “E esse traçado junto com o de Montreal, Cingapura, Valência e Monza são os de maior consumo.” Lucas Di Grassi, da Virgin, que terá de aumentar o volume do tanque do seu carro, comentou: “Se nós impusermos um ritmo forte, teremos depois de administrá-lo”. Outros pilotos estão na mesma condição.

 

  Robert Kubica, da Renault, pode ser uma das boas surpresas do GP da Austrália, amanhã. Sexta-feira, foi o mais rápido no treino da manhã. O jovem polonês comenta como está sendo preparar-se para disputar uma corrida sem o reabastecimento de combustível: “Diferentemente dos últimos anos, não nos preocupamos tanto em descobrir como montar a estratégia. Hoje ela é determinada apenas pela autonomia dos pneus.” E como os pneus são mais resistentes, todos os pilotos devem fazer amanhã, como em Bahrein, um único pit stop.

 

  É bom os pilotos estarem bem atentos. Na corrida, a velocidade máximas nos boxes será de apenas 60 km/h, em vez dos tradicionais 100 km/h. A área é pequena, estreita, e são 24 carros, argumenta a direção de prova. Quem ultrapassar os 60 km/h cumpre um drive trought, o que significa quase ficar de fora da possibilidade de marcar pontos, embora se espere, como é comum no circuito Albert Park, a entrada do safety car na corrida.

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