Temporada deverá começar em Melbourne

liviooricchio

18 de fevereiro de 2011 | 21h31

19/II/11

Livio Oricchio, de Barcelona

  Até ontem (sexta-feira) à noite, no Circuito da Catalunha, em Barcelona, não havia o comunicado oficial dos responsáveis da Fórmula 1, o que deve ocorrer hoje ou amanhã. A quarta e última série de testes da pré-temporada, prevista para o Circuito de Sakhir, em Bahrein, de 3 a 6, está praticamente cancelada.

  “Depois dos acontecimentos de hoje (ontem, com mais mortes nas ruas de Manama) e o que se imagina acontecerá daqui para a frente, não faz sentido pensarmos em ir ao Bahrein”, afirmou um integrante de importante equipe, ontem, às 20h30, quando encerrou a reunião que discutiu o que fazer diante da séria crise política no Bahrein.

  A Fota, associação das equipes, até já perguntou à administração do Circuito da Catalunha a disponibilidade da data para os times permanecerem em Barcelona. Jordi Mateu, diretor de comunicação do autódromo, explicou: “A data está, em princípio, reservada a um evento particular, mas podemos tentar uma mudança.” A Fórmula 1 deve permanecer em Barcelona. “É bom, você testa na mesma pista as mudanças no carro e compreende melhor o quanto evoluiu”, analisou Mike Gascoyne, diretor-técnico da Lotus.

  A prova de abertura do Mundial, dia 13, em Bahrein, também já está em xeque. “Quem não tem medo de ir lá? Eu tenho”, afirmou o piloto japonês Kamui Kobayahi, da Sauber. O finlandês Heikki Kovalainen, da Lotus, comentou: “Pilotei para a McLaren (o governo barenita é sócio da escuderia), fui recebido muito bem pela família real, mas agora a situação ficou difícil.” Ontem ocorreram mais mortes no protesto contra o governo.

  Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, admitiu que a situação piorou. Mas vai esperar até o último instante para tomar uma decisão porque há muito dinheiro em jogo. Se o GP de Bahrein não puder ser realizado, por razões de caos político, os promotores não são obrigados a pagar o estabelecido em contrato, cerca de US$ 35 milhões (R$ 55 milhões) para a FOM, que repassa, depois, parte da soma às equipes.

  “Não me cabe dizer se devo ir ou não à corrida. Se a Fota, a FOM e a FIA deciderem que vamos, lá estarei. Se disserem não, então não vamos, cabe a eles”, comentou o campeão do mundo, Sebastian Vettel, da Red Bull. Como é proibido a quase todos integrantes das equipes falar com a imprensa na Fórmula 1, quem não se importa de conversar com os jornalistas pede anonimato. “Pelo que estou sentindo, acredito que teremos uma semana de testes a mais, aqui na Europa, na data que seria da primeira prova”, disse uma importante fonte. Assim, a temporada começaria dia 27 de março, com o GP da Austrália.

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