Tentar fiscalizar a McLaren é "cena teatral"

liviooricchio

19 de outubro de 2007 | 13h36

19/X/07
GP do Brasil
Livio Oricchio

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A FIA disponibilizou na sala de imprensa de Interlagos, ontem, imagens ao vivo dos boxes da McLaren até os mecânicos concluírem seus trabalhos nos carros de Lewis Hamilton e Fernando Alonso, às 18h15. O fato é inédito. A entidade deseja mostrar transparência na disputa pelo título, bem como passar a idéia de que está atenta para que os dois tenham o mesmo tratamento.

Mas pilotos e engenheiros da Fórmula 1 definiram como “cena teatral” a presença de um fiscal no box da McLaren, designado pela FIA, e a chegada de Carlos Gracia, presidente da Federação Espanhola de Automobilismo (FEA), convidado por Ron Dennis. “Não seria necessário porque a história da McLaren mostra isenção na concorrência entre seus pilotos. Mas acreditar que uma pessoa dentro do box seja capaz de fiscalizar algo é de dar risada”, disse o coordenador da Renault, Steve Nielsen.

“Faço este trabalho há anos, já em quatro escuderias, e se me pedissem para permanecer dentro do box da McLaren verificando o andamento dos serviços, não teria como eu dizer foi justo ou não foi. Não há como”, falou o técnico inglês.

Christian Horner, diretor esportivo da Red Bull, afirma: “Cerca de 90% dos nossos sistemas são monitorados por computador, é impossível controlar e, antes de tudo, desnecessário.” Para Rubens Barrichello, da Honda, tudo não passa de um “teatro”. E diz: “Só se a pessoa escolhida para fiscalizar trabalhasse na equipe até há pouco tempo, conhece como tudo funciona, e de repente saiu de lá”.

Os times têm uma rotina de trabalho comum. Os dois pilotos começam os treinos com um acerto básico e vão, com o andamento da sessão, ajustando os carros de acordo com sua preferência. “O ajuste de um pode ser diferente do outro e é normal essa diferença”, explica o engenheiro Rogério Gonçalves, da Petrobras, fornecedor de combustível e óleo da Williams. Um fiscal pode interpretar esses acertos distintos como tratamento preferencial a um deles?, questiona.

“Me parece mais realista pensar que se alguém deseja intervir na disputa que seja, por exemplo, na estratégia de corrida, chamando um piloto para parar nos boxes uma volta antes ou depois”, complementa Gonçalves. Nos dias da prova de Interlagos Felipe Massa não abordou a questão, mas disse em outras oportunidades não acreditar que a McLaren canalize mais seu interesse num ou outro piloto.

Apesar de muitos acreditarem em conspiração contra Alonso, como ele próprio, mesmo afirmando, ontem, não ser necessária a fiscalização, a opinião quase unânime dos integrantes da Fórmula 1 é de que a disputa pelo título será limpa e o título, seja com que ficar, será legítimo.

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