Torço muito por Kubica. Mas seu desafio é imenso.

liviooricchio

29 de setembro de 2011 | 14h16

29/IX/11

Livio Oricchio, de Nice

Numa breve pausa para respirar do desgaste de tentar falar com as embaixadas da Índia para a obtenção do visto, leio notícias a respeito de Robert Kubica, por quem torço de maneira não muito distinta dos sócios de seu fã-clube.

Em seis semanas, diz Daniele Morelli, um amigo dos tempos que trabalhava com Pedro Paulo Diniz, no início dos anos 90, dará a resposta cobrada por Eric Boullier, diretor da Renault: poderá contar ou não com Kubica na próxima temporada.

Conversei com o doutor Igor Rossello, logo depois da cirurgia no hospital Santa Corona, em Pietra Ligure, em fevereiro, e as informações não eram, em princípio, boas, afinal a seção neurológica na mão direita foi importante.

Mas seu quadro evolui de forma bastante favorável pelo que temos lido e fico sabendo através de amigos. Explico já. Segundo o doutor Riccardo Ciccarelli, há muito um profissional que acompanha vários pilotos da Fórmula 1 e possui uma clínica perto de Viareggio, onde Kubica reside, na Toscana, afirma que Kubica vai estar no grid em 2012.

Pietra Ligure encontra-se a exatos 105 quilômetros de onde resido. Voltei no dia seguinte no hospital e conversei com outros médicos que o atenderam também. Mas entendi que os demais danos foram menores, se comparados com os da mão direita. O mais importante foi o que comentou o doutor Rossello, que afirmou precisar de meses para compreender a capacidade de regeneração neurológica do paciente. “As reações são individualizadas. Kubica é um superatleta e isso ajuda. Mas é bom ter em mente que vários nervos foram seccionados. Realizamos microcirurgia para reconstituí-los.”

A outra área mais afetada, depois da mão direita, foi o cotovelo direito. O piloto passou por várias cirurgias nesse tempo todo. A última ocorreu apenas há um mês. Faz três semanas, apenas, que Kubica começou, lentamente, a movimentar a articulação braço-antebraço direitos. Lembrando que o acidente aconteceu dia 6 de fevereiro.

Kubica é amigo próximo de Roberto Chinchero, de quem também sou bastante amigo. Várias vezes Kubica e Chincero se falam, no celular, do meu lado. Regularmente envio saudações a Kubica através de Chinchero, que as me reenvia. E Kubica sempre pede a Chinchero que eu não o chame de Kubica, mas de Robert. Portanto, disponho de boas informações do caso, pois tenho contato com Chinchero, que vivencia o drama do polonês de perto.

Não posso escrever, a pedido de Kubica, o que ele diz a Chinchero durante as corridas. Sentamos há anos juntos, na sala de imprensa, eu, Chinchero e o português Luis Vasconcelos. E chego a ouvi-lo no celular de Chinchero com um ouvido enquanto com o outro sigo a narração da rádio Estadão-ESPN, para quem trabalho.

Damos risadas. Kubica é ácido nas críticas.

No ocorrido, Kubica perdeu preensão de força e de precisão. E ele precisa das duas para pilotar um carro de Fórmula 1. Com a liberação da articulação do cotovelo direito seu quadro deu um salto na evolução. Passou a exercitar músculos que estavam praticamente estagnados há meses. Ainda não consegue segurar um copo com desenvoltura com a mão direita, por exemplo, mas diante das reações até há apenas um mês o avanço é animador.

É verdade, da mesma forma, que sua recuperação não será total. Não há como ser por causa da secção neurológica da enervação da mão direita. Sua volta às pistas está diretamente relacionada, dentre outras coisas, à extensão da recuperação da preensão de força e precisão que seu organismo promover.

O desafio é imenso, amigos, ao menos para o grau de exigência das duas, em particular, na Fórmula 1, se bem me lembro do belo curso de fisiologia neurológica na Universidade de São Paulo, nos meus tempos de estudante. Precisamos acreditar muito que vai dar certo, isso o ajudará!

 

 

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