Três gerações começam a definir, hoje, seu futuro

liviooricchio

17 de março de 2007 | 07h43

Quando Charlie Whiting, diretor de prova, autorizar a largada do GP da Austrália hoje à meia noite, horário de Brasília, três gerações distintas de pilotos estarão começando definir melhor suas trajetórias na Fórmula 1. A dos que acabaram de chegar na competição, muito jovem e talentosa, em que o estreante Lewis Hamilton, da McLaren, é representante, a dos pilotos de pouca idade, competentes e já estabelecidos, caso de Felipe Massa, da Ferrari, e a dos veteranos, como David Coulthard, Red Bull, à porta de cederem seus carros para eventuais novos Schumachers que possam vir aí.

“A não ser Alonso, e ainda assim na Espanha, não temos, hoje, outros ídolos na Fórmula 1 com a aposentadoria de Schumacher”, disse, ontem, no circuito Albert Park, em Melbourne, o principal dirigente da Fórmula 1, Bernie Ecclestone. “E esses novos ídolos, essênciais no esporte, não virão dos veteranos, que sabemos já o que podem fazer, mas de jovens cheios de vontade, capazes de assumir riscos, como as pessoas gostam”, prossegue o promotor do Mundial.

“Vimos recentemente o quanto se recebe de volta ao investir certo em talentos como Robert Kubica (BMW), Sebastian Vettel (BMW), Nico Rosberg (Williams), Piquet Júnior (Nelsinho, Renault) e creio que será o caso de Lewis Hamilton e Kovalainen (Renault).”

O recado do homem que tem o poder na Fórmula 1 é bem claro, antes ainda de começar a 58ª temporada da história: por ele, pilotos como Coulthard, Giancarlo Fisichella (Renault), Jarno Trulli e Ralf Schumacher (Toyota) e Rubens Barrichello (Honda), poderiam retirar seus macacões, no fim do campeonato, e aproveitar a boa condição de vida que a passagem pela Fórmula 1 lhes permitirá daqui para a frente.

“No nosso caso, acredito ter a melhor formação de jovens com potencial para uma carreira de sucesso na Fórmula 1, mas é preciso cuidado, não existem na abundância que algumas pessoas imaginam”, comenta o diretor da BMW, Mario Theissen. Ele conta com o polonês Kubica, 21 anos, e alemão Vettel, 19, para correr ao lado de Nick Heidfeld, 30 anos, em seu oitavo ano na Fórmula 1. “Concordo, não é simples encontrar jovens de real capacidade para tornarem-se grandes aqui”, diz Ron Dennis, da McLaren.

“Mantemos pilotos de pouca idade em várias categorias, através do nosso programa de formação, e Lewis Hamilton é o primeiro que fazemos chegar à Fórmula 1, depois de anos”, explica Dennis. “Revimos até a nossa política de não colocarmos na equipe de Fórmula 1 pilotos sem experiência, como é o caso de Hamilton, que estréia na competição.” E completa: “Mas há situações, como a Fórmula 1 de hoje, em que vale a pena investir, desde que se aja como fizemos, trabalhar cientificamente sua preparação, a partir de uma base natural, talento, muito grande.”

E todos, jovens, meia idade ou em fim de carreira têm uma grande vantagem a partir da corrida de hoje na Austrália: a ausência de um supercampeão como Michael Schumacher que, estatisticamente, lhes tirava, sozinho, metade das vitórias. Mais: a cada ano a FIA introduz mudanças no regulamento que visam a criação de mecanismos artificiais de intervir no resultado da competição, com o objetivo de torná-la, supostamente, mais emocionante, contra a própria filosofia defendida pela entidade em toda sua existência.

Hoje à noite, por exemplo, estréia a regra que obriga os pilotos substituírem os pneus, agora monomarca Bridgestone, moles pelos duros, ou vice versa, durante a corrida. Mais variáveis interferem no resultado das provas. E a responsabilidade maior do que elas geram está mais nas mãos dos técnicos, estrategistas das equipes que na dos pilotos. Ferrari, McLaren, BMW e Renault são as que estão respondendo melhor a essa nova realidade. As 58 voltas da prova, hoje, vão contar bem mais verdades.

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