Tribunal pode definir o campeão do mundo

liviooricchio

21 de agosto de 2006 | 17h22

Não hesito em acreditar que Michael Schumacher estará muito atento ao que ocorrerá em Paris, nesta terça-feira, no julgamento do apelo da FIA no seu próprio Tribunal de Apelo. Os comissários desportivos do GP da Alemanha autorizaram a equipe Renault utilizar o seu sistema de amortecedor de massa, contrariando a proibição da FIA emitida dias antes, logo em seguida ao GP da França.
A decisão terá desdobramentos diretos na definição do campeão do mundo, Fernando Alonso ou Michael Schumacher. Em primeiro lugar, eu me surpreenderia muito mesmo se a FIA perder o seu apelo. Por esse motivo penso que Tim Denshan, o projetista-chefe do modelo R26 da Renault, e Pat Symonds, diretor de engenharia, passaram os pouco mais de 15 dias entre a etapa da Hungria e a do fim de semana na Turquia para repensar o projeto do R26.
Como na segunda metade da temporada passada eles introduziram no R25, o que deu o título à Alonso, o sistema de amortecedor de massa e a FIA o considerou legal, acabou sendo incorporado ao R26, usado este ano. Com um agravante: o R26 foi concebido para competir com o amortecedor de massa. Vimos em Hockenheim e na Hungria como a Renault perdeu performace ao retirar o sistema de seus carros. A queda de desempenho não relaciona-se apenas ao avanço da Bridgestone, pneus da Ferrari, se comparados ao Michelin, da Renault. Há aí a retirada do sistema de amortecedor de massa também.
Ouvi de várias fontes na Fórmula 1, dentre elas uma da própria Renault, que o R26 perde, em média, 3 décimos de segundo por volta. Tenho comigo que no caso da prova de Hockenheim, o primeiro sem o sistema, a perda foi maior. Mas o mais importante nem é o fato de Alonso e Fisichella tornarem-se mais lentos. A ausência do amortecedor de massa compromete a eficiência dos pneus ao longo da corrida, fator que mais favorecia à escuderia Renault. Seus pneus eram sempre os últimos a degradarem-se e, ao mesmo tempo, os que melhor apresentavam resposta de aderência.
Dá para compreender com mais clareza por que Schumacher e a direção da Ferrari aguardam com ansiedade o resultado do julgamento de hoje? Caso o Tribunal de Apelo confirme o que a história e a lógica sugerem ser a definição do caso – a FIA ganhar da FIA – as chances de Schumacher encerrar a carreira com outro título mundial crescem significativamente.
Não penso que a diferença de performance entre a Ferrari e a Renault nas etapas restantes será como em Hockenheim e em Hungaroring porque, como disse, Denshan e Symonds puderam trabalhar um pouco o R26 para trabalhar sem o sistema de amortecedor de massa, o que não foi o caso depois de Magny-Cours, quando a FIA o proibiu. Mas não vejo como a Renault possa manter a mesma eficiência de antes, em que visivelmente desfrutava de importante vantagem técnica comparada à Ferrari.
Em resumo: embarco para Istambul, amanhã, cheio de esperança em ver uma bela corrida. Por tudo o que descrevi acima, caso confirmada a proibição do amortecedor de massa, Schumacher pode realisticamente reduzir a diferença de 10 pontos que o separa de Alonso na liderança do Mundial. O que, convenhamos, tornará os GPs da Itália, China, Japão e Brasil ainda mais interessantes.

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