Troca Alonso por Raikkonen: essa é de doer!

liviooricchio

10 de novembro de 2006 | 16h59

O que mais impressiona é que saiu do site da revista inglesa Autosport, tido como um dos únicos em que se pode, de fato, confiar. Claro que ontem o pessoal da equipe Renault deu risada da notícia. A publicação semanal inglesa destacou que Fernando Alonso ligou para a direção da McLaren, no meio do campeonato, e sugeriu trocar de lugar com Kimi Raikkonen.

Logo depois de Alonso e Briatore começarem a se desentender, sempre segundo a publicação, e a situação ficar insustentável, pouco antes do GP da Alemanha, o asturiano tentou antecipar sua estréia na McLaren. Raikkonen correria pela Renault as etapas da Hungria, Turquia, Itália, China, Japão e Brasil enquanto ele próprio assumiria o carro do time inglês.

Já imaginaram as campanhas publicitárias da Renault, em que Alonso aparece, de repente terem de ser refeitas. E as da Mercedes, com Raikkonen com garoto-propaganda, da mesma forma serem jogadas no lixo para Alonso substituí-lo? Na prática seria algo mais ou menos assim. Alonso falando: “Vocês lembram daquela marca que eu divulgava? Olha, gente, não é bem assim. Carro bom mesmo é este que eu estou divulgando agora, Mercedes, tá?

E o Raikkonen, então? Seria terrível: “Oi pessoal. Não é de hoje que o mundo mudou, né? Pois bem, então qual a razão de se gastar tanto dinheiro com esses carrões? Num modelo menor, como os da Renault, você tem o que necessita e por muito menos!”

Tudo muito fácil de se realizar e perfeitamente exeqüível. Afinal, tantas foram as vezes que essas mudanças já ocorreram na Fórmula 1 que a troca Alonso por Raikkonen seria apenas mais uma (sic).

Senhores, longe de qualquer presunção por favor, diariamente estamos aprendendo, nas conversas com pessoas do meio automobilístico, no próprio site da Autosport, dentre outros sérios, no material das agências internacionais, na leitura dos comentários deste blog etc, mas essa da troca Alonso x Raikkonen em plena temporada é de doer.

Acreditar ser possível representa desconhecer não só algumas leis básicas dos negócios na Fórmula 1 como até mesmo as severas implicações dos rompimentos de contratos publicitários, em especial os milionários, como os desse caso. Repito o que escrevi lá no início: o que mais me impressiona é que saiu no site da revista inglesa Autosport.

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