Uau, que meninada boa na GP2!

liviooricchio

07 de novembro de 2006 | 21h03

Tudo o que sei é o que li no material distribuído pelas assessorias de imprensa e na Internet: três dos quatro pilotos mais rápidos no último dia de testes da GP2, hoje em Jerez de la Frontera, são brasileiros. Lucas Di Grassi, com o ótimo carro da ART Grand Prix, foi o segundo mais veloz, 1min32s948, Luiz Razia, pela Racing, terceiro, 1min33s231, e Bruno Senna, iSport, quarto, 1min33s431.

Os três outros representantes do País, Antonio Pizzonia, do time de Fisichella, ficou com o 12.º tempo, 1min35s804, Xandynho Negrão, na Minardi by Piquet, o 15.º, 1min36s553. Alberto Valério, na Durango, deve ter registrado seu tempo quando o asfalto estava ainda molhado, 1min45s409.

Como escrevi outro dia, os tempos não são o máximo da representatividade do trabalho de cada um nesses treinos, em especial num dia como o de ontem, em que choveu e, no fim do dia, a pista quase secou por completo. Mas apesar de os resultados não serem conclusivos, não deixam de passar alguma informação. A que mais me chamou a atenção, hoje, foi o terceiro tempo de Luiz Razia.

O menino nunca havia experimentado um monoposto de cerca de 600 cavalos até ontem, não tinha intimidade com o traçado de 4.428 metros de Jerez e conseguiu uma marca que se sobressai por si só. Pelo que compreendi, os tempos foram obtidos quase na mesma hora, quando se formou uma trilha no circuito. Vale a pena olharmos o Luiz Razia com maior interesse a partir de agora.

Lucas Di Grassi confirmou o que muita gente na GP2 esperava dele com um monoposto equilibrado como o da equipe campeã, ART. Se a vaga do time de Nicolas Todt ficar com ele, aposto no seu sucesso no campeonato de 2007. Ninguém vence o GP de Macau, tendo atrás de si “apenas” Robert Kubica, por acaso, como fez Di Grassi. Gosto do seu estilo inteligente de correr.

Não é um velocista nato, mas é um piloto rápido, regular e que sabe exatamente o que faz. O vi correr aqui no Brasil, na Fórmula Renault, na Fórmula 3 européia, onde acabou em 3.º, e na GP2, na capenga Durango. Acho que Di Grassi reúne os elementos para crescer no automobilismo. Até onde? Ninguém sabe ainda.

Bruno Senna deu-se melhor com o pessoal da iSport que com o da ART, escuderia por quem treinou ontem. Conheço quase todos os integrantes da iSport. Saí já para jantar com eles várias vezes. Em alguns GPs, instalam-se no mesmo hotel que eu. Fórmula 1 e GP2 têm calendário bem semelhante. São profissionais competentes, sérios, honestos e todos bem objetivos, sem aqueles interesses nunca aparentes tão típicos de muitas organizações inglesas. Não é caso deles, apesar de quase todos lá serem ingleses. O Bruno estaria bem servido na iSport também, além da ART, claro.

O que eu penso que o Bruno pode fazer? Aguarde um post dedicado só para ele, baseado no que vi sobre seu trabalho, ouvi de gente que trabalhou com ele e li também. Penso ter um bom volume de informação para tentar projetar o que Bruno pode fazer na sequência da carreira, ao menos na GP2. Fórmula 1, como sempre digo, é um universo à parte. São tantas as variáveis que entram nessa equação que, por prudência, devemos sempre esperar ao menos parte da sua primeira temporada.

Por falar em post-coluna, nunca escrevi nada do tipo “O meu Raio X de Rubens Barrichello.” E olha que eu acompanhei o Rubinho nos seus dois últimos anos no kart, Fórmula Ford, Fórmula Opel, Fórmula 3 inglesa, Fórmula 3000 e Fórmula 1. Sem nenhuma presunção, por favor, mas penso ter sido o profissional que mais esteve presente em suas corridas, não importa a competição. Aguarde uma supercoluna em breve.

Sobre Antonio Pizzonia conversamos ontem. Xandynho Negrão. Para quem pulou etapas importantes na formação de piloto, como ele, começou tarde para os padrões de hoje, e pegou de cara carros rápidos, como da Fórmula 3 e da GP2, penso que o Xandynho faz até mais do que se poderia esperar dele. Assisti a corridas dele de encantar, este ano, na GP2. Largava lá atrás e vinha ultrapassando todo mundo.

As classificações, porém, não são o seu forte. Parece faltar-lhe aquela autoconfiança quando coloca pneus novos. A mais leve hesitação sobre o comportamento do carro nessa hora se reflete dramaticamente no cronômetro. Se tivesse largado mais à frente no grid, nesta temporada, teria obtido melhores resultados em razão do seu sempre bom ritmo de prova.

A respeito de Alberto Valério não posso comentar nada. Tudo o que sei é pelo que li. Sem ver de perto um piloto correr seria leviandade lançar qualquer idéia a respeito do seu potencial.
Torçamos por esses meninos. Um abraço, amigos.

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