Uma mancha de tinta no asfalto mobiliza Interlagos

liviooricchio

17 de outubro de 2007 | 21h23

17/X/07
GP do Brasil
Livio Oricchio

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Sexta-feira, um caminhão da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) percorria o S do Senna quando uma lata de tinta amarela de 18 litros, usada na pintura do asfalto, caiu de cima da caçamba, manchando a pista de recapeamento recém-concluído.

Depois de todos os cuidados possíveis para que finalmente Interlagos tivesse um piso à prova de críticas mais severas, o acidente gerou uma mobilização poucas vezes vista nos responsáveis pela reforma por poder comprometer, seriamente, o andamento normal da competição, decisiva para a definição do título.

Ontem, depois de encontros e estudos sobre como retirar a tinta da pista sem prejudicar o asfalto, finalmente todos respiraram aliviados: “Usamos bicarbonato de sódio, para reagir com a tinta, jato de ar e em seguida realizamos a limpeza do local”, explicou o engenheiro Luis Ernesto Morales.

“Seria um problema sério”, disse o diretor de prova, Carlos Montagner. A tinta estava bem na trajetória dos carros e na área onde passam os pneus de maior apoio na curva. Se houvesse diferença na aderência, certamente o piloto perderia o controle.”

O caminhão com equipamento alemão em uso para limpar a camada de óleo natural formada sobre asfalto novo acabou sendo utilizado. Seria a garantia de não afetar o asfalto, já que ele injeta ar sobre pressão elevadíssima e em seguida o aspira com a suspensão de óleo. Não funcionou. “Pensamos em usar jato de granalha de ferro para remover a tinta”, explicou o engenheiro. Mas haveria risco de danificar o xodó das obras este ano.

Por fim recorreu-se a uma solução em geral administrada nas indisposições estomacais, o bicarbonato de sódio. Felizmente a tinta era a base de água, como são as de emprego sobre asfalto, caso contrário seria necessário recapear uma extensa faixa da pista. “O óleo reage com o asfalto. Não dá para fazer apenas o remendo. A fim de manter a uniformidade do asfalto é preciso refazer um longo trecho”, explicou o engenheiro.

E pensar que a primeira idéia que veio à cabeça de alguns técnicos foi usar tinta preta para esconder a amarela. “Compreendi logo que tínhamos de pensar com calma”, contou Morales. O novo asfalto foi salvo.

FIM

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