Uma revolução na regra dos pneus

liviooricchio

07 de março de 2007 | 18h14

Li a notícia ontem à noite, no site da revista inglesa Autsport, confiável. Mas como tenho de finalizar o caderno de Fórmula 1 do Estadão antes de viajar para a Austrália, segunda-feira, decidi comentar com vocês apenas hoje. Permaneci até tarde aqui na redação cuidando de gráficos – eu os adoro, passam muita informação.

Além disso, desejava compreender muito bem, não ter dúvida alguma, o novo regulamento quanto ao uso dos pneus nos fins de semana de GP. Uma fonte, de um grande time da Fórmula 1, me explicou, hoje, em detalhes. Não estava claro para mim a questão de ter ou não, como regra, de se utilizar os dois tipos de pneus, duro e mole.

Primeiro a notícia de ontem: os dois tipos de pneus, duro e mole, serão identificados este ano. Saberemos que tipo cada piloto está usando. Não foi definida, ainda, como a Bridgestone irá fazer para permitir a quem está nas arquibancadas ou na TV, bem como os próprios integrantes das equipes, identificar o tipo de pneu. Nos Estados Unidos, na Champ Car, a própria Bridgestone adotou a cor vermelha na parede externa dos pneus moles.

Já se sabe que esse não será o modelo para a Fórmula 1. Fala-se, segundo li no texto inglês, na adoção de um círculo branco, capaz de ser facilmente detectado, mesmo com o carro em movimento, o que indicaria tratar-se do pneu mole. É bom eles correrem porque o primeiro treino livre da etapa de abertura do Mundial será dia 16, daqui a pouco mais de uma semana.

Será interessante, você não acha? Domingo de manhã, antes da largada, sempre procuro me informar no paddock sobre o tipo de pneu utilizado pelos principais pilotos. Bem sempre consigo a informação precisa. Como trabalho como repórter também das rádios Globo e CBN durante as transmissões das corridas, dispor desse dado me é importante, em especial quando tínhamos competição entre dois fabricantes de pneus, Bridgestone e Michelin, o que não é mais o caso com a saída da Michelin.

Agora a escolha será explícita. Bom para todos nós. Mas coloquemo-nos no lugar de Rob Smedley, engenheiro de pista de Felipe Massa, ou do simpático e sempre acessível Chris Dyer, ex-engenheiro de Michael Schumacher, atualmente com Kimi Raikkonen. Suponha que foram capazes de desenvolver com seus pilotos um belo acerto da Ferrari F2007 com os pneus duros. E o resultado é tão bom que são capazes de performance quase igual ao dos times com pneu mole.

Mais: a previsão para a corrida é de calor intenso e elevado desgaste dos pneus. Em outras palavras, a Ferrari estaria muito bem preparada para o desafio que os aguarda. Sua autonomia de pneus tenderia a ser maior que a da concorrência, ou as chances de vencer a prova seriam bem maiores. Tudo com a máxima discrição, até dando a entender aos adversários que sua escolha de pneus não era distinta da deles.

Agora não é mais possível adotar essa estratégia que, pelo nosso exemplo, poderia levar Massa ou Raikkonen ao sucesso. Ou melhor, até pode-se recorrer a essa tática, mas todos irão conhecê-la de antemão. É por isso que havia grande resistência dos representantes das equipes em aceitar pneus duros e moles identificados. Mas Max Mosley – ele é o mentor da iniciativa – não quis nem saber. Foi ao limite da sua autoridade para impor essa nova e, na minha visão, gostosa variável.

Mas quer saber de uma coisa? Pneus duros e moles identificados representam pouco perto de outra exigência de Mosley: a obrigatoriedade de se utilizar jogos de pneus duros e moles durante as corridas. É isso o que você acabou de ler: já domingo, dia 18, os 22 pilotos que largarem no circuito Albert Park, em Melbourne, terão de ao menos uma vez durante a prova variar o tipo de pneu em relação ao escolhido na largada.

Ontem conversei com o Rubinho e ele me disse que treinou no seu Honda RA107, em Bahrein, a variação de tipo de pneus. “Será interessante. De repente vamos ver pilotos com ótimo ritmo na corrida e depois do pit stop sua performance cair por conta de o carro não funcionar tão bem com outro tipo de pneu.” Os acertos mecânicos e aerodinâmicos serão, agora, não tão específicos como antes. Tudo sende a ser uma solução de compromisso.

É uma importante variável a mais nos fins de semana de GP, que somada a identificação do tipo de pneu amplia significativamente as possibilidades de mais pilotos poderem surgir na competição numa condição favorável para conquistar um resultado surpreendente.

Preste atenção como os pneus terão, agora, de ser utilizados:
Cada piloto terá direito a 14 jogos de pneus por fim de semana de GP, sendo 7 do tipo duro e 7 do mole. Indentificados para o público reconhecê-los. Depois das duas sessões de treinos livres da sexta-feira os pilotos devem devolver aos comissários 2 jogos do tipo duro e dois do mole, tenham ou não utilizado. Restam, portanto, 10 jogos para o sábado e o domingo, 5 do duro e 5 do mole. Em seguida ao treino livre do sábado pela manhã, são recolhidos outros dois jogos, um duro e um mole.

Assim, cada piloto passa a dispor de 8 jogos para a sessão de classificação para o grid, sábado à tarde, e a corrida, domingo, sendo 4 do tipo duro e 4 do mole. Importante: o regulamento exige que as equipes utilizem os dois tipos de pneus, duro e mole, durante a corrida.

Olha, daria para continuar conversando sobre o tema até amanhã. Mas além de me estender demais, nem sempre aconselhável, tenho de concluir o suplemento de Fórmula 1 do Estadão. Vamos lá, então. Expresse o que você acha dessas novas regras.
Abraços!

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